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42. NÃO É SÓ UM NÚMERO

Fonte: NY Daily News

Há 71 anos o número 42 se tornava não somente a forma de identificar um dos jogadores do Brooklyn Dodgers. O 42 deixava de ser só um número para representar uma mudança na forma como um país pensava suas relações sociais.

Nome: Jack Roosevelt Robinson

Data de nascimento: 31/01/1919

Local de nascimento: Cairo, Geórgia.

A HISTÓRIA

Jackie Robinson talvez seja, historicamente, o jogador mais relevante do Baseball. Ele mudou a maneira como os americanos pensavam. Quando Jackie entrou em campo pelos Dodgers (à época Brooklyn Dodgers) em 15 de abril de 1947 mais de sessenta anos de segregação racial na MLB chegava ao fim. Ele foi o primeiro negro a jogar na Major League no século XX, tendo sido, também, o primeiro a ganhar uma World Series (1955), o primeiro a receber um prêmio de MVP (1949) e o primeiro a ser conduzido ao Hall da Fama (1962, com 77.5% dos votos). Ele ainda foi o primeiro de todos os jogadores a vencer o prêmio de Rookie of the Year (1947) e o primeiro jogador de Baseball, negro ou branco, a ter o rosto estampado em um selo postal.

As estatísticas atribuídas a Robinson não dão a verdadeira dimensão do grande jogador que ele foi. Por conta do racismo institucionalizado e da Segunda Guerra Mundial, ele só jogou sua primeira partida aos vinte e oito anos de idade, dessa forma sua carreira teve parcos dez anos de duração. Seu aproveitamento no bastão foi um sólido 31.1, porém dado ao pouco tempo em que esteve na MLB o conjunto de suas estatísticas é relativamente inexpressivo para o padrão Hall of Fame.

Descrito como um tigre em campo e um leão no bastão, Robinson alcançava bases e derrubava barreiras que os adversários tentavam lhe impor – um desafio que ele frequentemente aceitava. Jackie foi um ótimo bunter, um bom rebatedor de sacrifício e sempre foi uma ameaça para quem tentasse impedi-lo de chegar às bases. Jackie Robinson não foi um grande rebatedor de home runs, mas rebatia bola para todos os lados do campo, tinha uma boa noção da zona de strike e, por isso, raramente era “strikeado”. Durante sua carreira ele obteve 740 walks e 291 strike outs – média de uma eliminação a cada 2.5 walks.

Mas foi correndo que Jackie Robinson mostrou todo o seu brilhantismo, um verdadeiro dínamo no percurso entre as bases – rápido, inteligente, ousado e agressivo. Um corredor que constrangia e intimidava adversários. Jackie era capaz de causar estragos mesmo ao tomar rotas incrivelmente longas, indo de um lado a outro, ameaçando roubar as bases. Sua presença era suficiente para fazer tremer atém mesmo os mais experientes arremessadores. Robinson reinventou a arte de roubar bases. Por dezenove vezes ele roubou o home plate – empatado com Frankie Frisch (New York Giants e St. Louis Cardinals). Em 1955, ele se tornou o primeiro de apenas 12 jogadores a roubar o home plate em uma World Series.

Jackie Robinson era um atleta nato, apresentando habilidades no futebol americano, basquete, baseball e atletismo. Na UCLA, em 1940 e 1941, Jackie tinha média de 11+ jardas por corrida no futebol americano, além de ser o cestinha da Pacific Coast Conference, seja como “junior” ou “senior”. Tendo sido o campeão de salto em distância da NCAA em 1940, Robinson teria representado os EUA nos Jogos Olímpicos não fosse o cancelamento por conta da guerra na Europa. Jackie ainda foi campeão de natação, semifinalista em um torneio de tênis e MVP do baseball, como junior, na UCLA.

VENCENDO A PRAGA DO RACISMO

Fonte: ThingLink

Jackie Robinson foi oficial do exército dos EUA, tendo servido por um curto período em Pearl Harbor, em 1942. Do acampamento de Fort Riley (Kansas) ele foi redistribuído para Ford Hood, Texas. Lá, em julho de 1944, ele desafiou um motorista branco que mandou que ele fosse para o fundo do ônibus “onde deveriam ficar os negros”. Quando o comandante da base e a polícia militar deram apoio ao motorista, Robinson se opôs à ordem e isso fez com que fosse mandado à corte marcial. Depois de responder ao processo, Jackie Robinson foi dispensado do exército com honras.

Sabendo de sua dificuldade e luta contra a autoridade militar, Branch Rickey (general manager e coproprietário do Brooklyn Dodgers) cotou Jackie Robinson como o principal candidato a romper com as barreiras raciais, já que Rickey era também o orquestrador do fim da segregação racial no baseball. Branch buscava um jogador negro que já estivesse acostumado a jogar contra brancos. Robinson atendia a esse requisito tendo crescido em um ambiente racial misto, frequentado escolas com colegas brancos e se matriculado na UCLA. Jackie Robinson foi um oficial militar, era inteligente e bem articulado.

O INÍCIO

Fonte: SqueezeBoxCity

Assim, em 1945, Jackie Robinson se junta ao Kansas City Monarchs, um time da Negro American League. Em outubro desse ano Robinson assina contrato com o Montreal Royals da International League, a principal equipe de ligas menores dos Dodgers. Em uma reunião que se tornou lendária Branch Rickey conseguiu de Jackie Robinson a promessa de que ele seguraria sua língua afiada e seus punhos rápidos em troca da oportunidade de ser o primeiro negro a jogar nas Grandes Ligas.

Em 1946, durante o Spring Training pelos Royals, Jackie sofria de uma dor crônica no braço que afetava seu desempenho, o que gerou uma séria desconfiança e a ideia de que “negros não poderiam jogar entre os brancos”. Sua estreia pelo Montreal Royals foi um jogo contra o Jersey City Giants. Na vitória por 14-1 Jackie Robinson só não fez chover. Em seu primeiro at-bat ele bateu um home run de três corridas. Na quinta entrada ele roubou a segunda base e depois chegou à terceira em uma jogada ousada. Fazendo movimentos de ir e vir entre a terceira e o home plate Jackie causou tanta confusão no pitcher adversário que este acabou cometendo um balk impulsionando a corrida do eterno #42 dos Dodgers.

No intuito de manter a segregação racial no baseball os organizadores da liga à época impuseram condições estúpidas. Uma era que apensa os jogadores negros considerados como foras de série poderiam chegar às Majors. Outra condição envolvia a questão financeira: os fãs brancos não estariam dispostos a assistirem jogadores negros e nem muito menos dividir o espaço das arquibancadas com torcedores negros. Jackie Robinson jogou por terra essas “preocupações”. Os Royals dominaram a International League e estabeleceram um novo recorde de público. Todos queriam vê-lo jogar! Mais de quinhentas mil pessoas foram ver Jackie Robinson atuar no ano de 1946 pelo Montreal.

Ao final daquela temporada Jackie Robinson teve aproveitamento de 34.9 no bastão, marcando 113 corridas em 124 jogos. Ele conduziu os Royals ao título da International League e à vitória da Little World Series. No fim da série Jackie foi carregado nos ombros dos fãs, que ainda o seguiram por três quarteirões levando um jornalista da época a escrever que “provavelmente esse foi o único dia da história que um homem negro foi seguido por uma multidão de pessoas brancas não por ódio, mas por amor”.

A ESTREIA NAS GRANDES LIGAS

Fonte: Baseball Nerd – MLB.com Blogs

A estreia de Jackie Robinson nos Dodgers foi contra o Boston Braves (atual Atlanta Braves). Do jogo contra os Reds em Cincinnati é contado, ainda que não haja documentos que comprovem a história, que Robinson sofreu ameaça de morte. Pee Wee Reese, shortstop dos Dodgers, nativo do Kentucky, entrou em campo abraçado ao rookie num gesto de coragem, demonstrando apoio público.

A pior experiência de Jackie aconteceu no jogo contra o Philadelphia Philies. Liderado pelo manager Ben Chapman, os Phillies o insultaram com tanta crueldade que Robinson mais tarde admitiria: “Isso me levou a pensar em desistir”. Porém, o episódio com Chapman serviu para fortalecer o apoio a Robinson e até mesmo converter alguns de seus detratores. A reação pública contra Chapman foi tão forte que ele foi obrigado a pedir que o camisa #42 dos Dodgers posasse para uma foto com ele a fim de salvar seu emprego. Jackei o atendeu graciosamente.

De sua temporada de estreia até 1954, Robinson nunca ficou abaixo dos 30% de aproveitamento no bastão. A temporada de 1953 foi especialmente espetacular: Jackie Robinson registrou 32.9%, 95 RBI e marcou 109 corridas. A campanha de 1954 foi a última boa temporada de Jackie: alternando entre o left field e a 3B, ele teve um aproveitamento médio de 31.1%, mas a idade e as inúmeras lesões permitiram apenas sete roubos de base.

OCASO, APOSENTADORIA, ATIVISMO SOCIAL E A ETERNIDADE

Foto: Baseball Hall of Fame

As temporadas de 1955 e 1956 foram de declínio físico e de queda drástica no desempenho. Em janeiro de 1957, Jackie Robinson anuncia sua aposentadoria. Ainda que fora do jogo, Robinson não saiu das luzes dos holofotes: Ele se manteve como um porta-voz dos afro-americanos e um incansável lutador pelos direitos civis. Em 1962, Jackie foi eleito para o Hall da Fama do Baseball. Sua indicação foi feita juntamente com a do grande arremessador do Cleveland Indians, Bob Feller, que certa vez dissera que o físico de jogador de futebol americano não permitiria que Jackie Robinson rebatesse uma bola sequer. Poucos anos depois de sua aposentadoria, Robinson revelou que sofria de diabetes. Sua saúde declinou com as crises provocadas pela doença, e aos 53 anos ele sofreu um ataque cardíaco fulminante em sua casa em Stamford, Connecticut. Jackie Robinson morreu em 24 de outubro de 1972, apenas alguns meses depois de ter sua camisa #42 oficialmente aposentada pelos Dodgers.

 NOME DE PRÊMIO E O 42 SE TORNA LENDA

Foto: Pinterest

Em 1987, no 40º aniversário da quebra da barreira racial na MLB, o prêmio de Rookie of the Year foi rebatizado com o nome de Jackie Robinson Award. Na comemoração dos 50 anos da estreia de Jackie, seu número #42 foi aposentado permanentemente por todas as franquias da MLB. Joe Black, companheiro de Jackie Robinson nos Dodgers, disse, falando por uma geração de jogadores negros: “Quando olho para minha casa eu digo – Agradeça a Deus por Jackie Robinson”.

Alguns números e prêmios na carreira:

 – 6x All-Star (1949-1954)

 – Campeão da World Series (1955)

 – NL MVP (1949)

 – MLB Rookie of the Year (1947)

 – MLB batting champion (1949)

 – 2x líder em roubos de base da MLB (1947 e 1949)

 – Integrante do time do século da MLB

 – Indicado para o Hall da Fama (1962, 77.5% dos votos)

Com certeza, Jackie foi quem começou tudo, e sempre seremos gratos por seu legado gigantesco para o baseball. Amanhã, com toda a justiça do mundo, veremos diversos 42 nas costas de jogadores da MLB. E que seja sempre assim.

#MLBdaMassa #JackieRobinsonDay

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Fernando Franca

Um mineiro latino-americano que ama o Vasco e os Dodgers e acredita que o Baseball é o melhor esporte já inventado.

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