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Conferência OesteNHL

EM RESUMO, O MÊS DE JULHO EM VANCOUVER


Todo torcedor do Canucks sabe que 1º de julho e o nome Jim Benning, na mesma frase, costuma dar problema. Loui Eriksson, Schaller, Beagle e Roussel que o digam. Com sua filosofia de trocar o pneu com o carro em movimento tenta, faz tempo, remendar o time em cima de fragilidades que, muitas vezes, só ele enxerga, ou melhor que só ele dá importância diante de tantas outras deveras mais críticas.

E com o dia 1º de julho veio mais um contrato vultuoso para um jogador com sérias vulnerabilidades, mas com capacidade técnica, indiscutivelmente superior aos jogadores atuais do elenco, Tyler Myers, que, em princípio fará dupla com Quinn Hughes, numa reedição adaptada de “O Gordo e o Magro” ou de “Irmãos Gêmeos”. Assinou, ainda, com Jordie Benn e Oscar Fantenberg.

Os analistas são unânimes em afirmar que tanto os que chegaram quanto os que não voltaram, por não terem tido seus contratos renovados, virando agentes livres, podem ser lista dos como verdadeiros reforços. Ben Hutton, Granlund e Derrick Pouliot em especial não farão qualquer falta ao time.

Nessa offseason, a exceção da contratação de Myers, ficou evidente que o Canucks está investindo mais em análise de dados, leitura qualificada de estatísticas complexas para montagem do elenco, tendo contratado, inclusive, o bloggeiro Ryan Biech, que fazia análises avançadas para o site The Athletic, além de integrar o time do blog CanucksArmy.

Foto: Canucks Army
Ryan Biech – foto: Canucks Army

O que os números dizem?

Temporada passada o Canucks teve muita dificuldade em produzir ofensivamente, a exceção de Horvat, Pettersson e Boeser. Tinha, portanto, apenas 3, de 6 top six legítimos, e essa leitura foi feita por Benning, que agiu em troca feita durante o draft para adquirir J.T. Miller, que estava sub aproveitado em Tampa e tem potencial para ser top 6. O problema aqui foi ter aberto mão de uma 1st round por ele para um time que estava desesperado para se livrar de seu contrato (bom por sinal) para ter dinheiro para renovar com seus principais jogadores.

Miller tem números muito superiores aos de qualquer atacante do Canucks em termos de entradas com o puck na zona ofensiva, produção de jogadas, chutes a favor quando está no gelo. Sua presença também traz números positivos para seus companheiros de linha, que invariavelmente pontuavam mais quando ele estava no gelo e, mesmo levando em consideração que teve sua pior temporada na última, deve-se considerar, também, que viu drasticamente reduzido seu tempo de power play.

Jordie Benn é outro que possui números bons, embora seja bastante subestimado pela liga. É o tipo de jogador que só o Analytics valoriza. LD que também joga de RD, para muitos seria o parceiro ideal de Hughes. Dizem, ainda, que se sai melhor como RD porque nessa posição não tenta enfeitar, fazendo o feijão com arroz e com isso, cometendo menos turnovers.

A tendência de utilização do Analytics ficou ainda mais evidente com a assinatura do contrato de Michael Ferland, que, além de produzir boas estatísticas (considerando aquelas que não entram nas análises mais superficiais, uma vez que nunca teve uma temporada de 50 pontos que justifique o rótulo de top 6), é um cara encardido, que pode proteger EP40 de oponentes desleais. Curiosamente Ferland contabiliza pouco menos de 20 brigas na carreira, tendo sido considerado vencedor em todas, exceto em uma, diante de Kevin Bieksa. Além disso, está na conta dele a eliminação do Vancouver na última vez que o time alcançou os playoffs.

Photo by Steve Babineau/NHLI via Getty Images
BOSTON, MA – MARCH 5: David Backes #42 of the Boston Bruins fights against Michael Ferland #79 of the Carolina Hurricanes at the TD Garden on March 5, 2019 in Boston, Massachusetts. (Photo by Steve Babineau/NHLI via Getty Images)

Sobre Myers Benning somente declarou que existem qualidades intangíveis que não são alcançadas pela análise de dados. As mesmas qualidades que, diga-se de passagem, o fizeram assinar com todo o pessoal acima citado e que hoje oneram demasiadamente o cap space do time.

O que ainda falta?

A exceção de Alex Edler, Benning assinou bons contratos com os RFA de Vancouver. Leivo, Motte, Demko, entre outros tiveram seus contratos renovados com valores amigáveis, mas ainda falta assinar com Nikolay Goldobin e Brock Boeser, contudo, atualmente, o time não tem cap para assinar sequer com Boeser, que seria a prioridade absoluta, muito menos com os dois.

Uma vez que o time iniciará a temporada com Roussel na Injury Reserve e considerando a possibilidade de mandar Schaller para a AHL, provisoriamente o cap existe para assinar, mas em algum momento será necessário liberar espaço e as alternativas não são simples.

Ericksson e Sutter aparecem como principais candidatos a serem trocados, contudo é muito difícil achar um lugar para eles em outras equipes sem absorver contratos igualmente ruins ou ter que abrir mão de um prospecto bluechip. Mandá-los pra AHL não resolve em razão das regras do CBA, que limitam a 1.250 milhões o Cap liberado nessas transações.

Difícil imaginar que Boeser não vá renovar com o Canucks mais cedo ou mais tarde, e Goldobin deverá renovar antes da pré temporada, para, desta forma, poder começar a temporada em Utica sem precisar ser colocado em Waivers, arriscando-se a perdê-lo por nada.

Como o time estará na primeira partida da Liga?

Já é possível ter uma ideia de como o time estará na noite de estreia, com variações normais que acontecem com o training camp e preseason as linhas devem ser, mais ou menos, as seguintes:

Pearson – Horvat – Boeser

Miller – Pettersson – Ferland

Baertschi – Gaudette – Virtanen

Leivo – Beagle – Motte

Edler – Tanev

Hughes – Myers

Benn – Stecher

Markstrom

Demko.

Não mencionei Goldobin, que deverá começar em Utica e receber um Callup no primeiro mês, assim que Baertschi se contundir.

Benning tentará negociar Eriksson e Sutter. O primeiro, se não for negociado, estará na 4ª linha, mas é difícil vê-lo novamente no time depois das criticas desferidas contra o treinador Travis Green, no Mundial da Eslováquia. Já o segundo, em não sendo negociado, começará na 3ª linha, com Gaudette sendo convocado ainda no primeiro mês, depois que Sutter tiver sua tradicional contusão.

Há a possibilidade de Benning ter que negociar jogadores do elenco para poder renovar com Boeser, e Pearson parece um bom candidato após seu ressurgimento nos últimos jogos da temporada. Baertschi também é uma possível moeda de troca, mas precisará conseguir se manter saudável e com bom rendimento por um tempo depois que a temporada começar.

CBA Canada
Louis Erickson pode não vestir mais a camisa do Canucks
PHOTO CREDIT: HTTP://WWW.CBC.CA/SPORTS/HOCKEY/NHL/CANUCKS-LOUI-ERIKSSON-1.3807383

O que eu acho que vai acontecer?

O Canucks jogará muito com a Injury Reserve. Iniciará a temporada com Roussel por lá e torcerá para que seus jogadores que possuem programa de milhagem com o DM batam ponto para substituí-lo. Bastaria que um entre Sutter, Baertschi, Tanev ou Edler fizessem o que deles se espera na temporada, ou seja, contundir-se, para ir empurrando o problema com a barriga até a trade deadline, quando o time tentará trocar Tanev por qualquer pick que ofereçam.

Minha análise das linhas e das chances do time na temporada.

Se as linhas seguirem o modelo acima, pela primeira vez em muito tempo o Canucks abandonará o desenho de duas linhas ofensivas e duas defensivas, tendo, ao menos no papel, 3 linhas capazes de pontuar. Gosto, especialmente, da terceira linha (não que seja melhor que as outras, mas escancara a mudança de mentalidade). Vejo um bom potencial ofensivo em Gaudette e um Virtanen pronto para estourar.

O time está indiscutivelmente mais forte e, me chamem de louco, mas acho que conseguirá classificação direta para os playoffs, roubando a vaga do Sharks, que, para mim, terá problemas no final da temporada com sua blue line envelhecida/assombrada por contusões (Karlsson não dura uma temporada inteira de forma alguma). Outra possibilidade é o Flames não conseguir repetir a campanha da temporada passada após traumática eliminação nos playoffs e a situação no gol ainda bastante nebulosa, com a assinatura de Cam Talbot para assumir a vaga de Smith.

Chances de título?

St. Louis venceu então, por que não? É a 50ª temporada, seria uma história bonita para se contar.

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Gustavo Macieira

Fã de hóquei desde Mário Lemieux Hockey pro Sega Genesis e torcedor fanático dos Canucks desde 2011, depois de virar a casaca e deixar de torcer pro New York Rangers.

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