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Minnesota Twins

ENTENDA COMO FUNCIONAM AS LIGAS MENORES DA MLB

Um pequeno mapa para se entender um pouco sobre como funciona o "celeiro" do melhor beisebol do mundo

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Para muitos que estão começando a acompanhar o beisebol e a MLB, um assunto que às vezes pode parecer confuso é o das ligas menores. Diversos termos como minors, AAA, AA, farm, designação para reabilitação, prospects e uma infinidade de nomes de cidades pequenas e de clubes afiliados podem deixar um novo fã completamente perdido e desmotivado a se aprofundar no assunto. Este pode ser um dos motivos, também, de tantos que iniciam a ver o esporte não entenderem muito bem o Draft da MLB, ou achá-lo “sem importância”, pois, ao contrário do recrutamento de ligas como NBA e NFL, um jogador de beisebol normalmente leva anos para chegar à liga. Foi pensando em tudo isso que decidi escrever este artigo para que todos possam ter uma noção básica e geral do que são e como funcionam as ligas menores do beisebol.

Todos os times da MLB funcionam da mesma forma quando o assunto é ligas menores. Obviamente, aqui nesta coluna sobre Minnesota eu tratarei do sistema do Twins, mas o funcionamento é praticamente o mesmo para qualquer clube. Para começar, vamos usar a definição do bom e velho Wikipédia sobre a MiLB (sigla do inglês usada para designar as ligas da “Minor League Baseball”): “Minor League Baseball é uma hierarquia de ligas profissionais de beisebol no continente Americano que compete em níveis abaixo da Major League Baseball (MLB) e fornece oportunidades para desenvolvimento de jogadores e um caminho de preparação para as ligas maiores”. Basicamente, é como uma escada que os jogadores precisam subir para se desenvolver até chegarem ao nível da MLB, que é considerada a melhor liga do planeta. As primeiras ligas menores oficiais datam da década de 1880!

O sistema é popularmente chamado de farm, que significa “fazenda”, pois é uma analogia de que os jogadores estão sendo plantados e cultivados para chegar no time principal. Estes, por sua vez, são chamados de prospectos, quando começam a caminhada por lá. O tempo que um jogador leva para passar pelo sistema é variável. Nenhum jogador tem obrigação de passar tanto tempo em cada nível. Se um jogador é fenomenal, ele provavelmente passará rapidamente por cada nível e chegar logo à MLB. Mas, na maioria dos casos (estatisticamente falando), o jogador sequer alcança o grande palco. É muito comum vermos jogadores que passaram a carreira profissional inteira nas ligas menores e fazem suas estréias nas grandes ligas com quase 30 anos. No atual elenco do Twins, Ryan LaMarre (29 anos) começou a temporada em um elenco principal de MLB pela primeira vez em sua carreira.

Mencionei as estatísticas de forma pessimista, pois, se você olhar bem, se os 256 times afiliados à MiBL têm em média 30 jogadores em seus elencos, temos que o sistema inteiro deve ter mais de 7 mil atletas. A MLB tem 30 times, com elencos de 25 atletas que jogam regularmente, ou seja, apenas 10% de todos os das ligas menores. É uma realidade que termina com finais tristes para milhares de sonhos de criança. Mas essa competição também gera histórias muito bonitas. Por exemplo, o nosso brasileiro Paulo Orlando, que joga pelo Kansas City Royals, passou dez anos nas minors e fez sua estreia pelo Royals aos 30 anos de idade, em 2015. No mesmo ano, ele sagrou-se campeão da World Series com o clube. Depois, ele decidiu fazer uma tatuagem. Vocês acham que ele tatuou o troféu da WS, não é mesmo? Não. Ele ficou tão feliz em realizar o seu sonho que estampou em suas costas a data de sua estréia nas grandes ligas:

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Designação para reabilitação

Outra função das ligas menores, além do desenvolvimento de jovens jogadores, é o de recuperação de jogadores lesionados. As chamadas “rehabilitation assignments” (designações para reabilitação) acontecem quando um jogador da MLB se machuca, é colocado na DL (“disabled list”, a famosa lista de lesionados) e, após recuperar-se da lesão, precisa voltar a jogar para entrar no ritmo novamente. Ao invés de colocá-lo diretamente de volta no time principal, ele é colocado para jogar temporariamente (normalmente não mais que três partidas, por exemplo) por um dos afiliados de ligas menores do clube.

A relação com o Draft

Como é de se imaginar, existe uma distância considerável entre o dia que um jogador é selecionado no Draft e o dia em que ele faz sua estréia na MLB. Por melhor que ele seja, ele levará anos para alcançar o grande palco. Um grande exemplo na história do Twins foi o de Joe Mauer. Ele foi escolhido como primeira escolha geral no Draft de 2001 como um fenômeno do beisebol do ensino médio e passou muito rápido pelo sistema, mas só chegou ao time principal em 2004. Outro exemplo é o de Mike Trout, do Los Angeles Angels. Considerado o melhor jogador do planeta e, para alguns, caminhando para ser um dos melhores de toda a história, ele foi recrutado no Draft de 2009 e subiu como um foguete. Ele ganhou uma chance no time principal do Angels já em 2011, jogando 40 jogos, mas, depois voltou para a AAA. Ele só subiu definitivamente em 2012. Mais à frente, vou falar dos prospectos atuais no sistema do Twins e quais deles estão com mais chances de subir em breve, incluindo a excepcional classe de 2017 recrutada por Minnesota.

Os níveis das ligas menores

0.jpgSão tantos clubes e ligas que existem no sistema das minors que tentar conhecer todas pode ser um problema enorme. Por isso, é até bom falar do sistema do Twins separadamente para ficar mais fácil de entender. Se você, leitor, torce para outro time, é muito fácil de encontrar os afiliados do seu time. Mas, antes de falar dos níveis, gostaria de informar duas coisas importantes: além das ligas menores oficiais, ligadas contratualmente à MLB, existem também as ligas independentes, que não têm conexão alguma com ela ou com seus clubes. Ao todo, existem oito delas, atuando em todo os EUA e no Canadá. Minnesota tem um representante em uma delas, o simpático St. Paul Saints. Existem também ligas menores oficiais de inverno fora dos EUA, na República Dominicana, no México e no Canadá. A outra coisa importante que preciso informar antes de prosseguir é que os afiliados de cada clube da MLB estão sempre mudando, pois eles firmam contratos com tais clubes. O Twins, por exemplo, está em último ano de contrato com quatro de seus cinco afiliados atuais. Ou seja, no ano que vem, poderemos ter novos clubes fazendo o desenvolvimento dos atletas do clube.

A MiLB possui seis níveis principais em sua hierarquia. Vou tratar deles a seguir, mas dividindo-os em duas categorias:

I) Níveis de temporada curta

Como muitos jogadores escolhidos no Draft profissional ou no Draft internacional podem ter até mesmo 16 anos de idade, é difícil que estes atletas estejam prontos para disputar uma temporada inteira contra jogadores muitas vezes dois ou três mais velhos ou com experiência no beisebol universitário. Em função disso, existem dois níveis de temporada curta (apenas meia temporada):

  • Rookie ball (ligas de calouros): o primeiríssimo nível, normalmente recheado de garotos que acabaram de ser draftados e não têm experiência nenhuma como profissionais e nem no beisebol universitário. Normalmente eles começam a jogar imediatamente após serem recrutados, sejam saídos do ensino médio ou vindos do Draft internacional.
  • Classe A Curta Temporada or “short season”: assim como as ligas de calouros, este nível disputa somente meia temporada. É comum que os garotos que acabam de ser draftados passem por este nível em seu segundo semestre, normalmente jogando apenas contra garotos por volta dos 18 anos. Nem todos os clubes têm afiliados neste nível, como o Twins.
II) Níveis de temporada completa

Após os garotos passarem por um ou dois níveis de meia temporada, como se fosse um estágio, chega a hora de eles começarem a disputar temporadas inteiras, que possuem quatro níveis:

  • Classe A, “Low A”: este é o primeiro dos níveis em que os clubes jogam temporadas inteiras. É o primeiro grande salto dos calouros e dos jogadores que saíram direto do ensino médio, sem passar pela universidade. Já os que passaram pelo universitário, costumam chegar mais rápido a este nível ou até mesmo a saltá-lo.
  • Classe A Avançada, “High A” ou A+: este é o nível em que os atletas já foram promovidos cerca de três vezes, no caso dos garotos do ensino médio ou estrangeiros, e em que os vindos do universitário “se igualam”. Jogadores que vieram do beisebol universitário costumam passar o primeiro semestre após o draft no nível rookie ball e logo na virada do ano já são colocados neste nível, onde deverão jogar o restante do ano.
  • AA ou Double-A: o segundo mais alto, mas considerado por muitos o nível mais definidor de todos. Já li que este é o nível em que dá para se saber se o jogador será um major leaguer de sucesso ou não.
  • AAA ou “Triple-A”: é o nível mais alto das ligas menores, bem abaixo da MLB. Este é o nível em que o jogador está mais perto de ser chamado para um time principal de MLB. Apesar de ser o nível mais próximo, o clube não tem obrigação de subir jogadores apenas da AAA. Ele pode subir atletas de quaisquer níveis para o time principal, seja para testá-los ou porque acredite que já estão prontos.

Os clubes afiliados ao Twins e os prospectos

Atualmente, Minnesota está sob contrato com quatro clubes afiliados entre os níveis Classe A e Triple-A. Além deles, o Twins também possui dois afiliados no nível rookie ball e um na liga de calouros da República Dominicana, mas estes três últimos são representações do próprio Twins, ou seja, o clube é o dono dos mesmos e eles levam o nome “Twins” também. Vejam quais são os clubes do sistema do Twins.

Rookie ball
  • DSL Twins: representação do clube que joga a Liga de Verão Dominicana (DSL). Todos os clubes da MLB possuem uma representação nesta liga de apenas 72 jogos, disputada entre junho e agosto. Muitos clubes possuem até mesmo dois clubes representando-os nesta liga. A função desta liga é, obviamente, buscar jovens talentos a serem aproveitados nas grandes ligas;
  • Elizabethton Twins: este é o afiliado mais antigo do Twins (desde 1974). Eles jogam a liga de nível rookie chamada Appalachian League. O clube é baseado na cidade de Elizabethton, no estado do Tennessee;
  • GCL Twins: outro clube no mesmo nível do anterior, porém de uma liga diferente. Como o nome diz, eles disputam uma liga chamada Gulf Coast League. O time joga na Florida, na cidade de Fort Myers, mesma cidade que é a sede do Twins quando este vai disputar o Spring Training.
Classe A Curta temporada

O Twins não possui afiliado neste nível.

Classe A
AR-180429572Cedar Rapids Kernels: afiliado ao Twins desde 2013, substituindo o Beloit Snappers (2005-2012). Este é o único afiliado que não está no último ano de seu contrato. O Kernels fica com o Twins até 2020, pelo menos. Ele joga na cidade de Cedar Rapids, no estado de Iowa e é o clube mais próximo geograficamente das Cidades Gêmeas (359 km). A liga que disputa é a Midwest League.

Classe A Avançada
cutFort Myers Miracle: membro da Florida State League, é outro que está com o Twins há muito tempo. A parceria começou em 1993 e dura até hoje, estando no último ano de seu contrato. Eles já foram afiliados do Phillies, do Orioles e do Padres. Como parte do sistema do Twins, eles foram campeões de sua liga em 2014. Eles jogam na cidade de Fort Myers, na Flórida.

Double-A
chattanooga-lookouts-primary-logoChattanooga Lookouts: é o afiliado mais recente do Twins, tendo iniciado a parceria em 2012. Eles já foram afiliados de outros sete clubes da MLB. Eles disputam a Southern League e são, talvez, o afiliado mais bem sucedido do Twins no momento. Eles foram campeões de sua liga em 2015 e em 2017. A cidade de Chattanooga fica no estado do Tennessee. Uma curiosidade sobre a parceria com o Lookouts é que eles eram afiliados do Washington Senators, clube que, em 1961 se mudou para Minnesota e transformou-se no Twins, entre os anos de 1946 e 1959.

Triple-A
redwingsRochester Red Wings: com o Twins desde 2003, o Red Wings é a parceria mais longa no nível Triple-A que o Twins já teve. Por décadas eles foram afiliados do Cardinals e do Orioles, ates de se ligarem ao Twins. Eles disputam a International League, da qual foram campeões 20 vezes, mas nenhuma com o Twins (a última foi em 1997). Sua sede é na cidade de Rochester, no estado de Nova Iorque.

Os prospectos do Twins

ROYCE LEWIS

LEWIS4Como foi mencionado, o intuito de existirem as ligas menores é o de desenvolver os jovens jogadores, chamados de “prospectos” ou prospects. Se o clube faz bem essa tarefa, merece continuar afiliado. Se o trabalho não agrada, os clubes buscam outros afiliados. Portanto, desde o dia em que são recrutados e começam sua caminhada pelo sistema, os prospectos são observados e avaliados não só pelo clube, mas por uma infinidade de sites de análises e scouts. No site da MLB, por exemplo, eles publicam uma lista dos melhores prospectos de toda a liga e a lista dos 30 melhores de cada time. Atualmente, o prospecto #1 da lista dos 100 melhores da MLB é o venezuelano Ronald Acuña Jr., de 20 anos, que está no sistema do Atlanta Braves. Ele já está no nível AAA. O prospecto do Twins melhor colocado na lista dos 100 melhores da MLB é Royce Lewis (foto), na posição #19.

Falando dos prospectos do Twins, você pode conferir a lista dos 30 melhores clicando aqui. Lewis é, obviamente, o #1. Fernando Romero, que está no time principal hoje, é o #2, pois vem tendo um desempenho fantástico na MLB. Mas ele deve voltar para a AAA em breve, quando Ervin Santana estiver completamente recuperado de sua cirurgia. Stephen Gonsalves e Nick Gordon, ambos já na AAA, ocupam as posições #3 e #4, respectivamente. São muitos nomes que nos trazem muita esperança nessa lista, mas gostaria de tratar de três deles em específico.

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NICK GORDON

Nick Gordon (foto), de apenas 20 anos, foi escolhido no Draft de 2014 pelo Twins com a 4ª escolha geral. Com apenas 22 anos, ele ainda não fez sua estréia pela MLB, mas acabou de ser promovido para a AAA, o que deve indicar que ainda este ano ele pode fazer seus primeiros jogos no time principal. Ele sempre foi um jogador muito regular em sua caminhada pelo sistema, nunca rebatendo menos de .277. Jogando nas posições de SS e de 2B, ele dá ao Twins muitas possibilidades, seja de ser aproveitado no time ou de ser uma moeda de troca muito forte. Com a grande possibilidade de Brian Dozier ser trocado no meio do ano e a grande distância que ainda existe entre Lewis e a MLB, as chances de ele ser aproveitado em Minnesota mesmo são consideráveis. Acredito que o Twins possa terminar o ano com Polanco e Gordon revezando-se entre as posições de 2B e SS.

Os outros dois são os principais nomes draftados pelo clube no ano passado. Depois da temporada tenebrosa de 2016, o Twins teve de novo a primeira escolha geral do Draft e selecionou Lewis para a surpresa de todos, que acreditavam que o escolhido seria Hunter Greene. Desconhecido da maioria, Lewis vem surpreendendo a todos. Além de ser um dos jogadores mais velozes do sistema, ele vem apenas crescendo ofensivamente e está escalando o sistema muito rápido. Ele rebateu .271 pelo GCL Twins no segundo semestre do ano passado e passou para o Cedar Rapids Kernels depois de apenas 36 jogos. Pelo Rapids em 2017, ele foi ainda melhor, rebatendo .296 em 18 jogos. Ainda pelo Rapids este ano, ele também melhorou e está rebatendo .303 em 37 jogos disputados este ano. Será possível que ele termine o ano jogando pelo Miracles? Se continuar nesse ritmo, sim!

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BRENT ROOKER

O outro é o 1B Brent Rooker (foto), escolhido na 35ª escolha do ano passado. Rooker disputou beisebol universitário por um dos melhores programas do país, a Universidade de Mississipi State, pela qual teve um ano de 2016 extraordinário, rebatendo .324 em 58 jogos. Após ser draftado, ele disputou 22 jogos pelo Elizabethton Twins, rebateu .282 e já foi promovido, no ano passado ainda, para o Fort Myers Miracle, jogando os 40 últimos jogos da temporada 2017, rebatendo .280, ainda com 11 HR’s. Entre estes dois primeiros níveis, ele manteve um OPS de .930! Com um desempenho tão bom, ele já começou 2018 sendo promovido para o Chattanooga Lookouts, onde teve um início muito ruim. Na primeira metade de abril ele oscilou muito e mal passou dos .200 de AVG. Porém, em seus últimos dez jogos ele está pegando fogo, tendo uma AVG de .293 desde o dia 17 de maio. Sua AVG geral nos 46 jogos pelo Lookouts em 2018 está em .256, mas ele vive um momento fantástico. Na semana passada, ele rebateu um walk-off grand slam e também registrou um jogo com quatro rebatidas. Nesse ritmo, poderemos ter Rooker no time principal já no ano que vem.

#TwinsDaMassa          #MNTwins

*Artigo originalmente publicado no site Minnesota Brasil.

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Thieres Rabelo

Jornalista e atleta amador (rugby). Escrevendo sobre esportes desde 2007 - NBA, NFL, Euroliga, ciclismo e MLB. Torcedor do Twins desde 2009 e dono do blog "Minnesota Brasil" e da conta @TwinsBrasil no Twitter.

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