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Vancouver Canucks

Há luz no fim do túnel, mas o tamanho do túnel ninguém sabe ao certo

Terminada a temporada regular e já de férias (mais uma vez) o Canucks tem muito o que avaliar desta temporada que não foi de todo ruim e deixou diversas lições, muitas dúvidas quanto ao futuro e alguma esperança. Ao mesmo tempo que o time vem subindo constantemente de desempenho em relação a pontuação, ainda permaneceu relativamente longe de uma vaga nos playoffs e muito longe de ser considerado um contender, mas vamos ao balanço. O que tivemos de bom e ruim na temporada?

Começando por uma análise realista:

O time ainda precisa melhorar muito. Na real demonstrou que tem 1 goleiro em bom nível e um reserva que tende a suplantá-lo. O gol não é um problema pro Canucks, que ainda tem no seu sistema DiPietro, como um bom prospecto e acabou de assinar com Jake Kielly, que fez uma carreira excelente na NCAA, com 0.929% de saves, o que garantirá uma boa dupla também em Utica.

A defesa mostrou a mesma fragilidade de outrora. Edler e Tanev se contundem com mais frequencia que o desejado e o segundo vem caindo vertiginosamente de produção. O top 2 do Vancouver, não existe mais. Ben Hutton tem números bem negativos e, apesar de ter jogado boa parte da temporada com Gudbranson, o desempenho bem razoável que este teve em Pittsburgh leva-nos a questionar qual era efetivamente o problema. Pouliot foi outro que recebeu chance e não aproveitou.

Stecher e Luke Shenn foram os únicos que terminaram a temporada maiores do que começaram e, claro, Quinn Hughes, que instantaneamente melhorou o time e o power play em seus 5 jogos, mostrando que realmente tem um grande futuro com o time. Biega, Sautner e Brisebois não comprometeram e em alguns momentos mostraram que podem segurar a onda em um 3º par. A expectativa para 2019/20 é que a subida de Olli Juolevi e um free agent ou enventual troca possa reforçar a equipe. Por fim, a assinatura com Rafferty e Teves, free agent da NCAA deverão servir para renovar o limitado setor do Utica.

O ataque teve desempenhos satisfatórios de Boeser, Horvat e Pettersson, assim como desempenhos medianos de Virtanen, Pearson, Leivo e Roussel. O primeiro vem crescendo e precisa ter mais chances com jogadores mais qualificados. Virtanen pode ser um excelente winger em uma terceira linha mais ofensiva. Pode ser aproveitado em uma segunda linha. Na verdade se questiona muito a razão de não ter tido chance na linha de Pettersson e Boeser. O problema é que Green tem mantido-se firme na convicção de manter duas linhas ofensivas e duas  defensivas, o que deixa Virtanen perdido.

Gaudette não teve muitas oportunidades, não comprometeu, mas também não prometeu nada. Parece que, ao final, ele não deve ser a resposta para a central da terceira linha e nisso o Canucks vai se ressentindo de Jared McCann, mandado para Flórida em troca de Gudbranson. A exceção de Baertschi, cujo problema está na dificuldade de se manter saudável, ninguém mais nas linhas ofensivas do Canucks mostrou condições de ocupar posição além da 4ª linha, com tempo de gelo limitado e o cenário não é melhor olhando para Utica, onde os prospectos não conseguiram emplacar.

Mas vamos aos destaques positivos e negativos da temporada:

Negativos:

Se esperava muito de Goldobin e, em alguns momentos, o russo pareceu pertencer ao universo da NHL, mas sua displicência defensiva e dificuldade em contribuir para o ataque na maior parte da temporada fizeram de sua performance uma decepção e, diz-se, somente não deixou a equipe na deadline por falta de interessados. Após a temporada vem reforçando que irá treinar muito sua velocidade na offseason para retomar seu espaço.

Jay Beagle, Brandon Sutter e Tim Schaller eram jogadores que deveriam fazer o time de Vancouver mais duro de se enfrentar e, ao mesmo tempo, gerar algum poderio ofensivo. A verdade é que nenhum deles conseguiu preencher qualquer dos dois papeis. Sutter, novamente marcado por contusões, termina a temporada com menos assistências que Jakob Markstrom e um valor de mercado que nunca esteve tão baixo.

Loui Eriksson é um caso a parte. Com seu contrato de 6 milhões ao ano e sua produção pífia na sua terceira temporada com o time já não dá pra dizer que não era esperado, mas não deixa de ser um ponto negativo. O desejo de Vancouver é livrar-se de seu contrato, o que poderá ser viável a partir de 1º de julho, desde que o time aceite reter parte de seu salário e, provavelmente entubar algum outro contrato duvidoso. O sonho da cidade é manda-lo para L.A. em troca de Kovalchuk.

A defesa, se já era um problema em 17/18, não dava para esperar nada diferente em 18/19 com nenhuma mudança feita na pré temporada e a contusão no joelho de Olli Juolevi, que o  impediu de estrear. Ao final da temporada tivemos a troca de Del Zotto por Shenn, Biega assumindo posição no lugar de Gudbranson e Pouliot perdendo a vaga para qualquer um que aparecesse. Espera-se muito mais desse time na próxima temporada somente com a efetiva chegada de Quinn Hughes.

O ataque tem apenas uma linha, com Pettersson, Boeser e Leivo, sendo este último, aparentemente, o ponto fraco da linha. No final da temporada a chegada de Pearson jogou uma luz na segunda linha com Horvat, mas ainda é pouco. Nada se espera das demais linhas, tornando o time muito previsível para os oponentes. Hoje, nenhum time se sustenta com duas linhas, quanto mais com duas linhas incompletas.

Utica foi um caso a parte. O início da temporada era promissor, com Juolevi, Dahlen, Lind, Gadjovich e Palmu prontos para estourarem. As coisas começaram a dar errado com as poucas oportunidades que os jogadores receberam, sempre com o discurso de que as oportunidades não caíam do céu, mas deveriam ser conquistadas. A verdade é que preferiram dar prioridade para veteranos sem qualquer calibre e colocaram os prospectos em fogueiras, jogando poucos minutos, em linhas muito fracas. A situação só piorou, com Palmu sendo mandado para Finlândia após ter sido um dos melhores prospectos no training camp e Juolevi se contundido. Ao final Dahlen acabou trocado e Lind e Gadjovich que se manteram permaneceram em um elenco disfuncional e com poucas oportunidades. Não é o fim de linha para eles, mas é fato que perderam 1 ano inteiro em seu desenvolvimento. Esse fracasso pode, no entanto, servir para a abertura de novos tempos. Trent Cull dificilmente permanecerá treinando a equipe. Após a troca de Dahlen e a brusca queda de rendimento da equipe, ficou claro que ninguém quer ele por perto e que os jogadores concordam que o sueco foi prejudicado pelo treinador.

Positivo:

Óbvio, Elias Pettersson, que apesar de um grande declínio na segunda metade, superou todas as expectativas. Inicialmente dizia-se que ele começaria o ano na ala, para se adaptar ao jogo norte americano, porém ele iniciou na central e já impactando positivamente o time, que era um com ele no gelo e outro, completamente diferente, sem ele. Mostrou precisão no chute, criatividade e muita entrega nos dois lados do gelo. De um jogador fraco físicamente passou a ser respeitado inclusive por seu trabalho no campo de defesa. Muito provavelmente será o calouro da temporada e deverá se apresentar ainda melhor em seu segundo ano. Já figura como pick nº 1 em diversos redrafts do ano de 2017.

Jacob Markstrom e Thatcher Demko. A dupla de goleiros mostrou nesse final de temporada que o gol do Canucks estará em boas mãos na próxima temporada. O que o time sofreu sem uma contribuição efetiva dos backups nesta temporada, forçando Markstrom a entrar no gelo 60X não deverá se repetir se Demko mantiver-se saudável. Markstrom, como já falado aqui, fez uma temporada digna de ser lembrado para o Vezina, o que provavelmente não aconteceu em razão do mês de novembro, em que ele jogou 9 jogos seguidos, com direito a rodada back-to-back, em road trip na costa leste, ou seja, estava estenuado. 

O time está crescendo. Comparando-se as últimas 3 campanhas o time vem crescendo um pouco em cada temporada. Se isso será suficiente para chegar aos playoffs no curto prazo é difícil dizer, mas o esqueleto está montado. O time está a uma ou duas peças de brigar por um wild card e essa peça pode muito bem ser o Hughes. Há luz no fim do túnel, o problema é que ainda não sabemos o quão longo é esse túnel. 

Draft 2019:

Mais uma vez a sorte não sorriu para Vancouver no sorteio do Draft. Com a 9ª pior campanha o time será o décimo a escolher no evento que será realizado na cidade. Os analistas variam quando da análise de quem o Canucks deve escolher. De um lado há os que defendem a escolha de um defensor, especificamente o sueco Victor Soderstrom, que conta em seu favor jogar pela direita, posição em que o Canucks tem menos opções, mas seus números não impressionam. Do outro há os defensores de Matthew Boldy, que seria o LW ideal em uma linha com Pettersson e Boeser.

A análise do Draft será feita em um post mais a frente e muitas questões precisam ser consideradas, como a necessidade da equipe, como acima feito, bem como a conduta que terá cada uma das nove equipes que escolherão antes. Será que o time tentará subir no Draft para pegar Bowen Byram, estrela do Vancouver Giants da WHL? Irão no melhor disponível ou na maior necessidade? E se um jogador mais cotado cair até a 10ª escolha? E as competições que virão, como Mundial? O que o restante da temporada reservará? 

Aguardemos as cenas dos próximos capítulos.

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Gustavo Macieira

Fã de hóquei desde Mário Lemieux Hockey pro Sega Genesis e torcedor fanático dos Canucks desde 2011, depois de virar a casaca e deixar de torcer pro New York Rangers.

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