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O PRIMEIRO SLUMP REAL DOS DIAMONDBACKS NO ANO

Sete derrotas em oito jogos, mas o que está acontecendo neste deserto?

Foto: Patrick Breen/AZCentral Sports

Boa noite, rattlesnakes de nosso Brasil e deste belo mundo, como vão? Perdão pelo atraso: era para a coluna ser publicada ontem (dia 16), mas pedi permissão para publicar hoje (dia 17) para poder atualizar a série contra o Brewers, para terminar um trabalho na faculdade e para assistir a pré-estreia de Deadpool 2 (que filmaço, diga-se de passagem!). Infelizmente, nosso Arizona Diamondbacks não está nem perto de produzir a alegria que o filme me proporcionou, né? Mas fazer o que, vamos pra nossa conversa semanal, e dessa vez o assunto é realmente o time: o que está acontecendo?

Diagnosticando o problema dos Diamondbacks

Era tudo só alegria no deserto: sequência de vitórias em séries, ataque forte, rotação boa, bullpen excelente. Dia após dia, desde o Opening Day, vencíamos jogos, e aos poucos íamos subindo nas tabelas. Um mês depois, detínhamos o melhor record da MLB, com direito a uma win percentage de quase 70%. Obviamente, era impossível manter essa onda de vitórias para sempre, pois, convenhamos, não somos um dream team. Entretanto, a queda desta semana foi abrupta demais, então cabe a nós cornetarmos: o que houve com nosso Diamondbacks?

Está faltando pisar mais nessa base em específico…
Foto: Matt Kartozian/USA TODAY Sports

Analisando jogo após jogo em maio, inegavelmente a gente encontra um problema: a falta de corridas anotadas. Desde a virada do mês, nós anotamos 38 corridas em quinze jogos – uma bisonha e baixíssima média de 2.53 corridas por jogo. Sinceramente, que time vence mais que perde anotando menos de três corridas por partida? Não é nenhuma surpresa que nós tivemos só cinco vitórias e dez derrotas no mês vigente: é impossível a rotação e o bullpen sofrerem zero, uma ou duas corridas literalmente todo jogo.

Inclusive, os Diamondbacks conseguiram ganhar cinco jogos por causa da rotação e do bullpen: mesmo sem Ray (lesionado), sofremos apenas 62 corridas – uma média de 4.13 por jogo. Esta média cai para 4.00 (52 corridas em 13 jogos) caso abatermos os jogos onde usamos pitchers da triple A para substituir nosso querido Raio (Medlen e Scribner), e vai ainda mais para baixo caso você retire o fator Fernando Salas (10 corridas cedidas em maio) da equação: 42 corridas em 13 jogos, média de 3.23 corridas por jogo, provando que o bullpen (tirando Salas) e a rotação não são problema, e sim somente o ataque.

Mediocridade ofensiva

Caros DBacks fans, decerto vocês lembram daquele tempo em que tínhamos um time top 5 no bastão, né? Infelizmente, 2017 está no retrovisor e muita coisa mudou em 2018. Mas Leonardo, como mudou se o time é praticamente o mesmo, sendo a única diferença Iannetta (e Souza)? Infelizmente, muitas vezes as peças não precisam ser mudadas para a mediocridade aparecer, basta a mentalidade mudar: não sabemos o que exatamente aconteceu com Dave Magadan (hitting coach) e com Tim Laker (assistente de hitting coach), mas a dupla decidiu um approach diferente do ataque em 2018, e, em minha opinião, a dupla falhou miseravelmente.

Algo comum no 2018 dos Diamondbacks: o strikeout. Foto: Rob Schumacher/AZCentral sports

Em 2017, os Diamondbacks eram famosos por praticar um baseball extremamente agressivo no quesito basepaths (caminho das bases), com quase todo o time roubando base, tornando singles em doubles e doubles em triples, tentativas de bunting for hit, squeeze bunts, sac bunts e confiança na velocidade do companheiro. Aliado a isso, a equipe tinha paciência no bastão e, portanto, ganhava bastante walks ou aproveitava de bolas penduradas. O resultado deste baseball agressivo nas bases, paciência no bastão e escolha de arremessos? Simples: os DBacks tiveram um dos ataques mais produtivos da MLB, tendo quase todos os stats ofensivos na top 10.

 

Em 2018, porém, isso mudou. Abordando uma mentalidade mais swing-free no bastão e mais careful nos basepaths, o average do time despencou (.254 em 2017 para .220 em 2018 – a pior da MLB), o número de strikeout subiu excessivamente (1456 em 2017 para 414 em 2018, uma projeção pra surreais 1.559 strikeouts no fim da temporada) e o número de stolen bases caiu (103 em 2017 para 26 em 2018, uma projeção para 98 stolen bases no fim da temporada).

Fim do mundo?

Com números peripherals bem abaixo da sua carreira, Steven Souza Jr é um dos nomes que podem melhorar o ataque. Foto: mlb.com

Definitivamente não. Embora seja muito preocupante essa abordagem “swing everything it goes to you” (uma abordagem totalmente antiquada, if you ask me), nós temos vários jogadores que são comprovadamente bons e que estão completamente abaixo da média: Paul Goldschmidt (que coisa, não?), Steven Souza Jr (que está com um career low .200 BABIP e 21% de strikeout), MC Ketel Marte (namorar pra que? Strikeout% baixíssimo, BB% abaixo do seu último ano, BABIP 50 pontos abaixo da sua carreira)… Esses três, eventualmente, vão se recuperar e produzir o seu esperado.

Entretanto, a mentalidade do time é sim um risco. Se continuarmos a produzir com esse ataque bottom feeder (.220 avg combinado é risível), o slump se torna irreversível. A ironia é que, depois de anos com ataque bom porém sofrendo com rotação e pen, hoje somos o oposto… A situação causa otimismo: esse time já provou ter qualidade no bastão, e, em caso de reversão, o time volta a ser contender.

Sem terra arrasada: ainda somos líderes da NL West. O ataque está dormindo e a mentalidade dos coaches está sendo burra, mas… Muitos jogadores estão em má fase e vão despertar, causando um upstick em corridas, redução em strikeouts, etc. Afinal, são 162 jogos, a maratona é muito extensa e não existe um time que vença 140 jogos. Olhos abertos, todavia: oito jogos e sete derrotas é sim um leve sinal amarelo. Ataque, vamos acordar, sim? Até porque amanhã começa a série em New York contra os Mets, e a rotação deles é bem forte. A temporada é longa e doutrinamos nossa divisão até então, então vamos seguir, porque nossa meta é a West. Go, D-Backs!

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Fernando Franca

Um mineiro latino-americano que ama o Vasco e os Dodgers e acredita que o Baseball é o melhor esporte já inventado.

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