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OS INQUEBRÁVEIS – PARTE 1

Na segunda-feira dessa semana, encontrei-me assistindo um belo jogo entre Giants e Dodgers. Uma vitória de virada do time de São Francisco, com um “v maiúsculo”, jogando muito bem defensivamente. Aliás (olha a corneta), talvez só isso possa ser elogiado neles, pois de resto, tá um pouco complicado achar elogios.

Enfim, o assunto que me chamou atenção nesse jogo, foi outro ponto e foi do outro time. Cody Bellinger, no alto de seus 23 aninhos, impulsionara uma corrida, a 37ª vez que fez isso nessa temporada. Para os Dodgers, a rebatida não resolveu muito, mas para Bellinger, fez história. Essa marca de 37 corridas impulsionadas é a maior na história da MLB antes do dia 1 de maio.

O jovem slugger dos Dodgers está vivendo uma temporada de sonhos. Junto do atual MVP da liga nacional, Christian Yelich, tem 14 home runs. Aliás, essa também é uma marca a ser comemorada. Apenas Albert Pujols (2006) e Alex Rodriguez (2007), conseguiram essas marcas antes de 1 de maio.

Ok, tudo bem, temos que tomar cuidado com essa história. Esse “antes do dia dia 1 de maio”, agora possui mais jogos que anteriormente. Entretanto, estes dois nomes que acabo de citar, claramente estão entre as maiores estrelas da liga. Observem os números abaixo, pode ser que isso te impressione:

  • Bellinger em 2019: .431/.508/.890, 14 HR, 37 RBI (31 games)
  • Yelich em 2019: .353/.460/.804, 14 HR, 34 RBI (29 games)
  • Pujols em 2006: .346/.509/.914, 14 HR, 32 RBI (25 games)
  • Rodriguez em 2007: .355/.415/.882, 14 HR, 34 RBI (23 games)

Uma ideia

As médias de Bellinger são lindas e ele ainda lidera a liga em diversos aspectos. Rebatidas, corridas, bases, batting average, porcentagem de slugging, OPS e WAR! Enfim, a coluna poderia ser uma espécie de ode a Cody Bellinger. Entretanto isso não seria muito apropriado vindo de um torcedor dos Giants. Mesmo assim, agradeço ao garoto pelo assunto que ele me entregou de bandeja.

Sempre que assisto um jogo que traz uma marca histórica, me sinto extremamente empolgado. Fico rindo sozinho, dou gritos na sala, dona onça pede para eu ficar quieto e os vizinhos também. Ainda mais quando o jogo vara a madrugada, desculpem, mas esse sou eu. A empolgação foi tanta que não conseguia dormir e fiquei pensando: “Esse moleque acabou de quebrar um recorde. Que outro record será que ele consegue quebrar?”

Bom, acabei indo além: por que não comentar sobre os recordes inquebráveis da MLB? Posso dizer que foi uma semana de pesquisa intensa. Algumas horas a menos de sono e mais alguns cabelos brancos, mas foi prazeroso. Então chega de historinha e vamos para os “Senhores Inquebráveis”.

Maior número de rebatidas na carreira – 4256

Encerrando a carreira antes mesmo que eu fosse um projeto de meus pais, Pete Rose colocava seu nome no livro dos recordes da MLB. Ambidestro e muito versátil, Pete Rose jogou por 24 temporadas na MLB. Neste tempo passou por três times distintos, os Reds, Phillies e o extinto Montreal Expos. O jogador que chegou mais próximo do recorde de Pete Rose, foi Derek Jeter. 

O (talvez) maior ícone dos Yankees, encerrou sua carreira com 3456 rebatidas. Foram 20 temporadas jogando pela franquia mais vitoriosa da MLB. Embora tenham sido quatro temporadas a menos que Pete Rose, provavelmente esse número não seria alcançado tão cedo. Apenas fazendo uma conta de papel de pão, ou seja, usando a média de rebatidas da carreira de Derek Jeter, mais cinco anos seriam necessários. 

Logicamente, é difícil imaginar que o Jeter (mesmo sendo Jeter), conseguisse manter a média de rebatidas de sua carreira. Entretanto, se conseguisse manter, seria necessário pouco mais que Pete Rose. Só para ter ideia da dimensão dessa marca, um jogador precisaria de 250 rebatidas por 17 temporadas seguidas. Ou então, pouco mais de 200 rebatidas por 21 temporadas seguidas. 

Agora, se você ainda parece esperançoso, talvez o próximo dado pode acabar com isso. Nos últimos 80 anos, apenas o recém aposentado (e gigantesco) Ichiro Suzuki, foi quem conseguiu esse feito. Foi em 2004, que o ídolo japonês, conseguiu 262 rebatidas numa única temporada.

Senhoras e senhores, Pete Rose
Fonte: tbo.com

Maior número de at-bat na carreira – 14053

Bom, poderia ser outro jogador, mas não é. Pete Rose também detém o recorde de maior número de at-bats na MLB. Seguindo a mesma lógica, Derek Jeter foi o que chegou mais próximo de bater a marca. Foram 11195, mas ainda sim, muito longe. Hoje podemos encontrar Albert Pujols como o mais próximo de chegar nessa marca, mas para isso precisaria jogar mais algumas (boas) temporadas. 

Para ser mais claro, Pujols está com 39 anos e precisaria jogar até os seus 45 anos. Para obter esse recorde não precisaria usar tanto o seu talento, apenas precisaria ainda conseguir apenas girar o bastão. Entretanto, será que ele pretende continuar por mais tanto tempo na liga? Ou então, será que sua franquia ainda pretende mantê-lo no elenco só para um recorde? Duvido.

Pete Rose após rebater uma simples e quebrar o recorde de rebatidas de Ty Cobb (11/09/1985).
Fonte: Associated Press

Maior número de walks na carreira – 2558

Aqui temos um dos nomes mais controversos da história e o detentor do recorde de hon-rons em uma única temporada. É claro que estou falando de Barry Bonds. O ex-jogador ficou muito conhecido por sua habilidade em rebater bolinhas para além dos ballparks, mas também por ter seu nome envolvido em um escândalo referente ao uso de esteróides.

Em 2000, o personal trainer de Bonds foi acusado de fornecer esteróides para atletas, incluindo jogadores de baseball profissionais. Durante o julgamento, Bonds negou o uso de esteróides, mas futuramente o caso voltou a tona devido ao livro “Game of Shadows”. No livro, os autores afirmam que Bonds usou estanozolol e mais outros esteróides. Então, Bonds passou a ser investigado por perjúrio.

Ele acabou sendo absolvido, mas foi condenado por obstrução de justiça. A condenação foi mantida em uma apelação feita em 2013, mas revertida em 2015. A figura do jogador é bem controversa por esses motivos, no entanto, a liga não o afastou dos jogos durante todos esses processos.

Sendo assim (boladão ou não), ele seguiu fazendo números lá pelos lados de São Francisco. Em 2001, rebateu 73 home runs, um número bem significativo, mas que hoje em dia, apesar de ser difícil, não parece mais ser tão impossível. Entretanto, outro número (o de walks), parece ser bem difícil de ocorrer.

Bonds não era só um grande rebatedor de hon-rons, ele rebatia bolas para todos os lados. Com isso, em 2004 ele recebeu o walk intencional por 120 vezes. Uma vez que já era considerado grande rebatedor, junto com as notícias dos esteroides, os arremessadores tinham medo de enfrentá-lo.

Barry Bonds posando para foto em 16/03/2004, no Scottsdale Stadium.
Fonte: Getty Images/Andy Hayt

Maior número de rebatidas duplas na carreira – 792

Tris Speaker, também conhecido como “The Grey Eagle”, jogou por 22 temporadas na MLB, durante 1907 e 1928. Desde então detém esse recorde, que talvez fique com ele até que complete 100 anos (ou mais). Nosso já comentado Barry Bonds (601), chegou perto desse número, mas não conseguiu quebrá-lo. 

David Ortiz, o Big Papi e Adrian Beltrá, também chegaram próximo da marca, com 632 e 636 respectivamente. Os dois já “penduraram a chuteira” e agora, quem ainda está na ativa e poderia quebrar o recorde é Albert Pujols. Com 645 rebatidas duplas em 19 temporadas, o jogador precisaria manter uma média de 37 rebatidas duplas pelas próximas 4 temporadas. Parece um pouco difícil, ainda mais contando com o declínio normal do jogador.

Tristam E Speaker, o Tris Speaker.
Fonte: baseballhall.org

Maior número de rebatidas triplas na carreira – 309

Talvez esse seja o único recorde que conseguimos dizer que nunca será quebrado. Sam Crawford, detentor do recorde, jogou por 19 temporadas na MLB, de 1899 até 1917. O destaque fica para a temporada de 1914, quando rebateu 26 triplas. Crawford não era um grande rebatedor de home runs (97 na carreira), mas sabia como conseguir três bases.

O último jogador que chegou a perseguir essa marca (“de perto”) foi Roberto Clemente, que aposentou-se em 1972. De lá para cá, tivemos José Reyes, que até tentou buscar a marca, mas nem em uma única temporada conseguiu alcançar as mesmas 26 rebatidas triplas de Crawford. Existe aquela máxima urbana do “nunca diga nunca”, no entanto, aqui é bem difícil não dizer que esse recorde nunca será quebrado.

Sam Crawford
Fonte: baseballhall.org

Maior número de bases roubadas na carreira – 1406

Ao longo da história tivemos ótimos ladrões de base, mas nenhum foi tão consistente quanto Rickey Henderson. Tanto é que ele também possui os recordes de maior número de temporadas com 70 ou mais roubos de bases (7 temporadas) e até maior número de temporadas com 100 ou mais roubos (3 temporadas).

Henderson encerrou a carreira em 2003 e deixou o segundo colocado na lista de maiores ladrões, com 468 bases a menos. Assim como o recorde acima (rebatidas triplas), parece surreal imaginar que existam tantas tentativas de roubo de base para que esse recorde seja quebrado. Sendo assim, a revista LIFE, classificou esse recorde como inquebrável.

Para ter dimensão da dificuldade, um jogador precisaria de uma média de 70 bases roubadas por 20 temporadas, para conseguir se aproximar do feito de Henderson. Para deixar mais claro, o jogador até então em atividade que se aproximava de Henderson era Ichiro Suzuki, com 500 bases roubadas.

Rickey Henderson correndo durante um jogo do Oakland Athletics.
Fonte: Jeff Carlick/MLB Photos

Maior número de jogos consecutivos – 2632

Hoje em dia imaginar qualquer jogador participando de todos os jogos da temporada é muito difícil. Agora, imagine jogar por 17 temporadas seguidas, parece algo mais surreal não é mesmo? Tanto é, que para os mais recentes do baseball, o último jogador a ter uma grande sequência, foi Alex Rodriguez. 

Durante os anos de 2000 e 2003, ele jogou por 546 jogos seguidos, ou seja, menos de um quarto do que nosso recordista conseguiu. De qualquer forma, quando Lou Gehrig atingiu a marca de 2130 jogos consecutivos (lá em 1939), achavam impossível esse número ser batido. Então em 19 de setembro de 1998 (após o Zidane não economizar gols contra o Brasil), Cal Ripken destrui o recorde. 

A marca foi atingida alguns anos antes, porém o jogador queria mais. Ele adicionou 500 jogos ao recorde e então se aposentou. Lógico que não, ele só tirou um dia de folga e acabou se aposentando três anos depois. Esta figura com certeza é um homem de ferro do baseball.

Festa em Baltimore, no momento que Carl Ripken alcança a marca de Lou Gehrig.
Fonte: witnify.com

Continuará

Esses recordes considerados inquebráveis, são apenas relacionados aos rebatedores. Ainda existem muitos outros que são considerados inquebráveis e são referentes aos donos das bolinhas, os arremessadores.

Por enquanto, como uma homenagem ao bom começo de temporada de Bellinger e Yelich, seguirei apenas com esses recordes. Na próxima semana, trarei os outros recordes, que assim como esses, também devem deixar vocês sem sono. 

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Felipe Martins Clemente

um engenheiro da computação com especialização em gestão de projetos, doido por tecnologia, cinema, música e minha família. além de tudo isso, sou um eterno apaixonado por esporte e acredito na transformação que ele pode causar em cada pessoa. como um dos idealizadores do tailgate zone, busco levar esse mesmo sentimento de transformação (através do esporte) para outras pessoas. também quero mostrar que a beleza do jogo vai muito além daquela hail mary ou de um buzzer beater para ganhar o campeonato, e que a parte alta na nona entrada, pode ser uma das coisas mais emocionantes da sua vida.

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