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OS INQUEBRÁVEIS – PARTE 2

A coluna deveria ser semanal e deveria ter saído logo no final de semana seguinte aos “OS INQUEBRÁVEIS-PARTE 1“. Entretanto tão imprevisível quanto o baseball, é a nossa vida. A pesquisa já tinha sido feita, os resumos já estavam montados. Só era necessário passar tudo, pelo compilador de ideias desse colunista. 

Puxei de um lado, puxei de outro, ignorei algumas coisas e tentei ignorar outras, busquei priorizar o texto, mas não sobrava tempo. O hiato foi tamanho, que pode até ter parecido completo desleixo ou falta de compromisso, mas não foi. Foram longos jogos com entradas extras, usando muito minha rotação titular, gastando o bullpen e testando jogadores em muitas posições.

Eu até poderia jogar a culpa na dona onça. Caberia dizer que a rotina do trabalho dela, junto com as preparações para as comemorações de seu trigésimo aniversário, não permitiram meu quality start. Entretanto eu seria muito maldoso com ela e acabaria passando pano para a falta de gestão de meu manager.

Enfim, confesso que estou envergonhado e até por isso estou abrindo o meu coração com todos. Bem, não que eu já faça isso naturalmente em todos os meus textos, tamanha a paixão que tenho pelo esporte. Entretanto, achei de bom trato vir até aqui e entregar como tem sido corrida essas semanas.

Bom, vamos ao que interessa. Na última semana que nos falamos, apresentei uns recordes um tanto quanto malucos no lado ofensivo do jogo. Agora, se eu te falar, que do lado defensivo temos outros bem mais engraçadinhos, será que vocês acreditariam? Espero que não, pois aí vocês leem a coluna até o final para verem que realmente estou falando a verdade.

O prêmio Cy Young

Há um mês, coloquei dois recordes como realmente impossíveis de acontecer, mas pensando melhor, perto desses aqui, talvez eles pareçam possíveis. O primeiro senhor inquebrável de quem falaremos no texto, é nada mais, nada menos que Cy Young, o cara que dá nome ao prêmio de melhor arremessador do ano. 

Detentor de três recordes considerados inquebráveis, ele é um grande nome na história do baseball. Tudo bem que em sua época, o baseball era bem diferente, mas isso não pode tirar os seus méritos e sua qualidade técnica. Os recordes de maior número de vitórias (511), maior quantidade de jogos completos (749) e maior número de entradas (7356), hoje parecem surreais.

Antigamente, os pitchers arremessavam algo em torno de 45 a 55 jogos por ano e Cy Young fez isso por 22 temporadas. Volto. repetir, as quantidades são diferentes e proporcionam estatísticas muito mais favoráveis aos recordes, mas sua qualidade técnica foi inquestionável. Afinal, em sua época, outros jogaram a mesma quantidade e não chegaram próximo. Greg Maddux foi o jogador que mais recentemente conseguiu se aproximar de Cy Young em quantidade de vitórias. Em 23 temporadas na MLB, ele acumulou 355 vitórias. 

Podemos dizer que isso já é um grande feito, visto que a quantidade de jogos dos arremessadores é metade da que Cy Young jogava. Agora, falando de quem ainda está em atividade, nenhum deles chega a metade das vitórias que nosso recordista teve. CC Sabathia e Bartolo Colón, o primeiro com 249 e o segundo com 247 vitórias, já estão em seus últimos dias de liga. 

CC já confirmou que essa será sua última temporada e Bartolito, com seus 46 anos, em breve pode anunciar algo também. Pois é, esse recorde promete ficar intacto por muito tempo, a menos que apareça algum pitcher capaz de ganhar mais de 20 jogos por temporada por umas 25 temporadas. Já para os outros recordes, só se jogarem até os seus 60 anos.

Cy Young posando para a foto em 1900 e guaraná com rolha!
O homem que dá nome ao título: Cy Young
Fonte: sabr.org

Maior número de saves – 652

Bem, se o clube dos 300 saves já é muito seleto e possui apenas dois jogadores em atividade, imagina conseguir mais que o dobro disso? O recorde pertenceu a bela cidade de San Diego, pelos braços de Trevor Hoffman, mas durou apenas um ano. Mariano Rivera, foi o segundo jogador a entrar no, mais seleto ainda, clube dos 600 saves e após isso, tratou de buscar o recorde. 

Particularmente, acredito que esse recorde possa ser quebrado um dia e não acredito tanto nesse inquebrável. Entretanto posso estar falando besteira e posso até magoar os torcedores mais fervorosos dos Yankees. Porém gostaria de deixar bem claro, que embora esse recorde seja quebrado um dia, dificilmente algum outro closer chegará aos pés de “Sandman” (como era chamado Mariano Rivera).

Dono de um cutter lindo e venenoso, não existirá na história do baseball, um closer como ele. Muito difícil criar comparações com jogadores do passado ou jogadores que virão. Foram 19 anos na liga, entristecendo muitos rivais, com uma média de 34 saves por temporada.

Mariano RIvera em seu último jogo no Yankee Stadium, em 26 de setembro de 2013.
Mariano Rivera reverenciando os fãs em seu último jogo no Yankee Stadium (26/09/2013).
Fonte: Newsday/Thomas A. Ferrara

Menor ERA na carreira – 1.82

Fiquem surpresos mesmo, pois esse ERA de 1.82, não é em uma determinada temporada, foram por 14 anos de liga! Ed Walsh jogou praticamente sua carreira inteira no Chicago White Sox, ganhou apenas uma World Series e apesar do grande feito (o recorde), apenas em dois anos teve o melhor ERA da liga americana.

Agora vamos lá, tentarei falar isso de forma rápida, pois o coração não permite. Se você assiste Clayton Kershaw hoje, considere-se um privilegiado sim. Tido como o melhor arremessador de nossa época, ele é o mais próximo que você verá de um ERA tão baixo na carreira. O ace dos Dodgers assina um ERA de 2.41 e na história fica 29 posições abaixo de Ed Walsh.

Mais um posando para a foto em 1900 e guaraná com rolha, dessa vez, Ed Walsh.
Ed Walsh, o homem do menor ERA (na carreira) da história.
Fonte: baseballhall.org

Nola Ryan, vários inquebráveis

Quem é o melhor “striker” da liga hoje? Quem você considera o melhor? Justin Verlander? Max Scherzer? Clayton Kershaw? Pois bem, saiba que nenhum deles está próximo de ser tão perigoso quanto nosso recordista. Ou então, se você é mais antigo no baseball, Randy Johnson e Roger Clemens, conhece? Nem esses caras, tão “violentos” com a zona de strike, chegaram na casa dos 5000.

Esse último é um dado que torna, tantos os recordes, quanto o seu recordista, muito especiais. Nolan Ryan é uma lenda. Ele possui vários recordes considerados inquebráveis, incluindo um que não é muito positivo, nada sexy. Entretanto, também demostra toda a sua voracidade para atingir a zona de strike.

Nolan Ryan detém o recorde de maior quantidade de strikeouts na carreira (5714), maior número de temporadas com 100 ou mais strikeouts (24) e também o maior número de temporadas com 200 ou mais strikeouts (15). Outros grandes nomes do baseball como Greg Maddux e Roger Clemens encerraram a carreira com respectivamente 21 e 19 temporadas com 100 ou mais strikeouts.

Entretanto, como sempre digo, nem tudo são flores e recordes negativos também existem. Ryan é dono de um recorde nada nada sexy, mas que ainda sim parece inquebrável. Eu julgaria mais inquebrável ainda, pelo calibre do arremessador. Nolan só não era retirado do jogo pois sua habilidade era inquestionável. Hoje em dia, um arremessador (independente do calibre) que tenha dificuldades para encontrar a zona de strike, não dura muitas entradas, quem dirá temporadas.

The Ryan Express, como era conhecido, jogou por 27 anos na liga, encerrando sua carreira com 46 anos. Muitos especialistas duvidam que as lendas citadas acima (Greg Maddux ou Roger Clemens), teriam o mesmo desempenho que Nolan teve aos 40 anos. Outro feito gigante de Nolan Ryan, foram seus 7 no-hitters. 

A dificuldade de um no-hitter é tamanha, que ainda existe um time que não tem o feito registrado: o San Diego Padres. Arremessadores que conseguem viram históricos. Caso consigam mais de uma vez, viram lendas, heróis. O que dizer de Nolan Ryan então? Um deus do baseball?

O dono de vários recordes considerados inquebráveis, Nolan Ryan.
Nolan Ryan, o dono de vários inquebráveis.
Fonte: Houston Chronicle File/Howard Castleberry

Maior quantidade de shutouts – 110

Nolan Ryan foi dominante, mas não chegou nem perto de nosso recordista de shutouts. Walter Johnson jogou por 21 temporadas e acumulou 110 shutouts, enquanto Ryan chegou até a marca de 61. Ambos tem números gigantescos, ainda mais quando olhamos para os arremessadores em atividade. Clayton Kershaw é o que acumula mais shutouts, são 15, seguido de Bartolo Colón, com 13. 

Aqui podemos voltar a citar o mesmo que falamos para Cy Young, sobre a quantidade de jogos. Dizer que as possibilidades de shutouts para Walter Johnson foram maiores, já que jogou mais jogos. Entretanto, o segundo lugar na lista de maiores “shutouteiros” é contemporâneo de Johnson e ainda ficou devendo alguns shutouts.

Que texto cheio de poses de 1900 e guaraná com rolha! Walter Johnson, dono do maior número de shutouts.
Walter Johnson, ou Big Train, como era conhecido.
Fonte: si.com

Maior número de jogos com 15 ou mais strikeouts – 29

E aqui chegamos a um recordista que orgulha este colunista (pelo menos no último ano de carreira). Com média de 221 strikeouts por temporada e uma média de 10.61 strikeouts por nove entradas arremessadas (recorde da MLB), finalmente um cara que jogou pelos Giants. Ok, não ganhou nada com o time, mas ensinou a garotada a ganhar (World Series 2010, 2012 e 2014, é acho que ensinou mesmo).

Randy Johnson em seu último ano na liga, vestindo o manto do San Francisco Giants.
Alerta de clubismo: Randy Johnson no único uniforme possível.
Fonte: si.com

Johnson foi um dos mais dominantes de sua era, junto de Greg Maddux, Pedro Martínez e Roger Clemens. Era dono de uma das bolas rápidas mais temidas, mas tinha o slider como sua assinatura. Sabe aquele slider do Brad Hand que tanto elogiei no ano passado? Pois bem, Randy Johnson tinha um mais lindo e mais perigoso ainda.

Quando estava no montinho, rebatedores canhotos fingiam lesões para não ter que enfrentá-lo. Enfim, além de prêmios individuais (All-Star, Cy Young, ERA, MVP), ele também marcou história por ser o jogador mais velho a conseguir um jogo perfeito (40 anos). Uma lenda e que ao final da carreira, ainda escolheu como último montinho o do AT&T Park.

Em grande estilo (e com os Giants) encerro os nossos inquebráveis. Os homens que ficarão eternizados na história do baseball. Os nossos heróis de garoto. Aqueles que, (muitas vezes) nos inspiram, nos alegram (nas vitórias) e nos fazem chorar (nas derrotas). Os ídolos que criam as nossas relações com os nosso times e que assim como os recordes, tornam nosso amor pelo jogo inquebrável.

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Felipe Martins Clemente

um engenheiro da computação com especialização em gestão de projetos, doido por tecnologia, cinema, música e minha família. além de tudo isso, sou um eterno apaixonado por esporte e acredito na transformação que ele pode causar em cada pessoa. como um dos idealizadores do tailgate zone, busco levar esse mesmo sentimento de transformação (através do esporte) para outras pessoas. também quero mostrar que a beleza do jogo vai muito além daquela hail mary ou de um buzzer beater para ganhar o campeonato, e que a parte alta na nona entrada, pode ser uma das coisas mais emocionantes da sua vida.

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