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Chicago Cubs

PODERIA TER SIDO MELHOR E MAIS BONITO

A temporada 2018 do Chicago Cubs

O inverno está chegando… tempo da saudade.

Fala, galera da massa! Retorno para um resumo e avaliação geral da temporada dos Cubs em 2018. Uma temporada que terminou de forma melancólica e decepcionante para o torcedor, mas que de maneira geral foi positiva, com a equipe alcançando respeitáveis 95 vitórias e chegando pela quarta vez consecutiva à pós-temporada, marca inédita na história da franquia – a melhor marca anterior havia ocorrido entres as temporadas de 1906 e 1908.

Após liderar a National League por meses, e chegar a ter uma confortável vantagem de cinco jogos sobre os Brewers na disputa pela Central, o time acabou por perder a divisão em um emocionante tiebreaker, e a vaga na NLDS para os Rockies num confronto de wild card que somente foi decidido na 13ª entrada. Para amplificar a dor do torcedor, ambas as derrotas foram em casa. Ficou um grito amargo entalado na garganta, que vai nos perseguir por toda a offseason.

Hora de revisitarmos o que de melhor e pior tivemos ao longo da temporada, falar dos destaques e das decepções, para tentarmos entender melhor os motivos que nos levaram ao topo, infelizmente seguido pelo retumbante fracasso final. Para melhor organizar a explanação, analisarei os setores do time separadamente. Vamos lá!

Rotação

Da esquerda para a direita: Lester, Hendricks, Darvish, Quintana e Chatwood; a rotação dos Cubs que iniciou a temporada 2018.

A grande decepção em relação à rotação não poderia ser outra senão Yu Darvish. Maior e mais cara contratação dos Cubs para esta temporada, o japonês ex-Dodgers atuou em apenas oito partidas em função de problemas físicos e lesões. Para piorar, teve performance bastante insatisfatória, com 22 corridas cedidas em 40 entradas, para um ERA de 4.95.

Outra colossal decepção foi Tyler Chatwood (5.30 ERA). Contratado junto aos Rockies para ser o número cinco da rotação, foi tão mal que terminou preterido até mesmo do bullpen, embora tenha começado razoavelmente bem, entregando alguns bons jogos entre abril e junho. Contudo, desde o início sofreu com o excessivo número de walks; ao todo cedeu 95 em 103.2 entradas, digno de recorde negativo histórico, que ele certamente teria batido se não tivesse sido sacado do time.

Dentre os que já atuavam pelos Cubs em 2017, o destaque negativo foi Quintana (4.03). Não que tenha sido um desastre, mas oscilou demais, principalmente na primeira metade da temporada. Acabou ficando marcado como mais uma decepção justamente pela queda de rendimento em relação ao que apresentou no ano anterior.

Lester (3.32) e Hendricks (3.44) de maneira geral foram bem, ambos compartilhando um começo ruim e evoluindo ao longo dos meses, chegando em grande fase na reta final. De fato a rotação como um todo foi o pior setor do time na primeira metade do ano, melhorando significativamente a partir do fim de julho.

Numa daquelas ironias tristes do destino, coube a Hendricks no seu melhor momento, atuando como reliever nas entradas extras do duelo de wild card, a infelicidade de ceder a corrida que deu a vitória ao Colorado Rockies, e decretou a nossa amarga eliminação em pleno Wrigley Field lotado.

Montgomery (3.99), que iniciara como long reliever, foi promovido à rotação no lugar de Chatwood em meados de junho, e deu razoavelmente bem conta do recado, apesar das oscilações. Por fim, Cole Hamels (2.36) chegou na janela de meio de temporada vindo dos Rangers para substituir Darvish, e se revelou uma grata surpresa, ajudando demais e se firmando como um dos mais confiáveis starters na segunda metade do ano.

Bullpen

Pedro Strop comemorando mais um save; ele foi um dos destaques da equipe no ano, inclusive atuando como closer no lugar do lesionado Morrow.

Com o bullpen verificou-se o contrário do que com a rotação: um começo excelente seguido de uma queda paulatina, culminando com o pior momento nos meses de agosto e setembro. Cotado entre os melhores da liga na primeira metade da temporada, nosso grupo de relievers sofreu com lesões e o desgaste pela sequência insana de jogos na reta final, o que abalou notavelmente a performance.

Dentre os que atuaram ao menos em quinze jogos e vinte entradas, os grandes destaques positivos foram Steve Cishek (2.18) e Pedro Strop (2.26). Ambos oscilaram pouco e se mostraram peças sólidas e importantíssimas por toda a extensão da temporada. Strop, inclusive, se revelou um bom closer substituto após o afastamento de Morrow por lesão, tendo obtido 13 saves em 17 tentativas. Morrow (1.47 ERA e 22/2 S/BS), por sua vez, vivia excelente fase até ter a sua trajetória desafortunadamente abreviada.

Wilson (3.46) foi grata surpresa entre os meses de abril e junho, mas sofreu queda sensível na parte derradeira do ano; o mesmo pode ser dito de Rosario (3.66). De todo modo, por serem arremessadores de quem se esperava pouco – o primeiro por conta do desempenho pífio do ano passado, e o segundo por ser um novato vindo das farms – acabaram por deixar uma impressão positiva para o futuro.

Porém, a mais vertiginosa perda de performance indubitavelmente foi protagonizada por Carl Edwards Jr (2.60). Chegou a ser quase surreal e inacreditável assistir a Edwards jogando nas últimas semanas; de pitcher de elite passou a ter desempenho comparável aos piores do esporte. Uma lástima. Muito difícil explicar o que aconteceu com ele. É torcer para que volte a ser o grande reliever que conhecemos no próximo ano.

Das contratações que Epstein realizou na janela de meio de temporada, Jesse Chavez (1.15) e Jorge De La Rosa (1.29) superaram as melhores expectativas e foram bastante úteis num momento em que boa parte do bullpen estava na descendente. Por outro lado, Brandon Kintzler (7.00), justamente o que chegou mais badalado, foi um verdadeiro show de horrores.

Por fim, Duensing (7.65) talvez possa ser apontado como a maior decepção. Após ótimas atuações em 2017, esperava-se bastante dele, que fosse um dos pilares do nosso corpo de relievers. A realidade foi desastrosa. Duensing foi péssimo da primeira até a última vez em que pisou no montinho. Fiasco completo. Triste.

Defesa

Infielders titulares no início da temporada (Báez, Russell, Bryant e Rizzo) comemorando mais uma vitória.

De maneira geral teve uma ótima temporada e se manteve confiável e sólida, sem causar maiores sustos ou transtornos, honrando a reputação de ser uma das melhores das grandes ligas. O grande destaque no outfield foi Jason Heyward e seu braço poderoso, que evitou corridas cruciais em diversas oportunidades.

No infield, a grata surpresa foi David Bote, que se firmou bem na posição durante o longo período em que Kris Bryant esteve ausente por lesão. O destaque negativo ficou com o número excessivo de erros contabilizado por Báez (17) e Bryant (14), se bem que no caso do primeiro tal índice se explica pelo fato de ser um jogador arrojado e agressivo, disposto a correr riscos. De fato, Báez participou de nada menos que 96 double plays na temporada, ficando atrás somente de Rizzo (128) no quesito.

Por fim, Contreras está mais do que consolidado como um catcher titular de elite, e Caratini se revelou um backup digno de respeito e confiança na posição.

At bat

Javier Báez correndo para o home plate após rebater um dos seus 34 home runs; ele foi o grande destaque ofensivo dos Cubs em 2018.

Se um setor pode ser acusado de ter sido o grande vilão, aquele mais diretamente responsável pelo fiasco que nos afligiu, pelos sonhos de glória e triunfo destroçados precocemente, sem dúvida foi o ataque.

A despeito de termos sido o nono ataque mais produtivo da MLB, com 761 corridas anotadas em 163 partidas (média de 4.67 corridas por jogo), a verdade é que nosso grupo de rebatedores deixou a desejar, sobretudo no último mês e meio de temporada e nos jogos decisivos: o desempate contra os Brewers e o wild card game ante os Rockies.

De fato, os únicos jogadores que se destacaram at bat de maneira consistente ao longo do ano foram Báez (.290 BA, 111 RBI, 34 HR), Rizzo (.376 OBP, 101 RBI, 160 H), Heyward (.335 OBP, 57 RBI, 119 H) e Zobrist (.378 OBP, 58 RBI, 139 H), e mesmo eles não foram totalmente imunes à draga de setembro.

A esse respeito, Báez merece um destaque especial. Foi tão bem que chegou a receber a honra de ser indicado para a votação do MVP da temporada da National League. Apesar de tal glória ter se tornado inviável em decorrência da sua queda marcante de performance em setembro, é preciso ressaltar que a sua evolução em 2018 foi simplesmente extraordinária e deveras surpreendente.

Conhecido e amplamente criticado por muitos torcedores por sua postura demasiadamente impaciente, e atrapalhadamente agressiva, no bastão nos anos anteriores, foi com folga o jogador que neste ano mais evoluiu e impressionou. Báez merece todo o respeito, carinho e consideração do torcedor.

Voltando ao lineup, outros brilharam em momentos pontuais, mas oscilaram e também tiveram fases terríveis, como Bote (o mestre dos walk-offs improváveis), Almora Jr, Schwarber e Bryant. Destes, os últimos foram importantes decepções, dado o que já produziram em temporadas passadas. Bryant ao menos teve a desculpa de ter sofrido com uma grave lesão. Schwarber, por outro lado, não tem álibi nenhum e suscita preocupação e desconfiança em relação ao futuro.

Os demais estiveram quase que todo o tempo bastante abaixo daquilo que já produziram, ou que podem produzir, e pouco ou quase nada contribuíram. Russell, Contreras e Happ foram os mais marcantes fiascos. La Stella e Caratini estiveram dentro dos padrões imaginados, nada de mais, nada de menos, pouco no geral.

Para finalizar, cabe ressaltar a contribuição de Daniel Murphy. Única contratação digna de nota para o setor ofensivo em 2018, Murphy – o malfadado algoz dos Cubs na NLCS de 2015, atuando pelos Mets – chegou no final de julho, numa transação bastante vantajosa, graças ao oportunismo de Epstein junto ao desmanche dos Nationals.

Após um começo empolgante, Murphy decaiu muito e quase nada entregou quando o time mais precisou, isto é, nos jogos finais decisivos. No geral seus números (.297 BA, .329 OBP, 41 H, 13 RBI e 6 HR) foram dignos de evitar a pecha do fracasso, mas tampouco viabilizaram qualquer desejo na torcida por sua renovação. Não deixará saudade.

Comissão técnica e Theo Epstein

Theo Epstein pensativo durante uma coletiva em meados da temporada; foi um ano de muita turbulência para o nosso Presidente de Operações do Beisebol.

Maddon foi o que a torcida já conhecia e esperava: insistentes variações no lineup, com o intuito de rodar o elenco, somadas a estratégias de manejo do bullpen muitas vezes agressivas e controversas. De forma geral mais acertou que errou. Atribuir a ele maior responsabilidade pelo fracasso é descabido. Dentro das possibilidades fez um trabalho decente, digno do voto de confiança do torcedor para seguir por ao menos mais uma temporada à frente do time.

Quanto a Epstein, pode-se dizer que enfrentou um ano especialmente turbulento. Duas das suas três grandes contratações do início do ano não vingaram, de modo que teve que fazer muitos ajustes com o bonde andando. Algumas soluções deram certo, outras não. Acertou nas apostas em Hamels, De La Rosa e Chávez, mas errou feio com Kintzler. Em relação a Murphy, não foi erro nem acerto, mas uma tentativa válida, que infelizmente trouxe frutos somente num lampejo inicial. Certo é que Epstein não pode ser acusado de passividade ou omissão.

Finalmente, um profissional da comissão técnica que precisa ser questionado é Charles “Chili” Davis, o técnico dos rebatedores. Chegado à franquia após boas passagens por Oakland e Boston, e não obstante os méritos que possam ser dados a ele pela evolução de Báez, a verdade é que o time como um todo caiu de produção at bat em 2018 sob sua tutela, principalmente no momento mais agudo e importante da temporada. Até que ponto Davis merece ser responsabilizado? Resta esperar que uma devida reavaliação seja feita, e que sejam tomadas as providências cabíveis.*

Considerações finais

Os sentimentos dominantes ao final da jornada não poderiam ser outros senão os de frustração, desilusão e tristeza. Afinal, ficou no torcedor a nítida sensação de que poderia ter sido mais, melhor e mais bonito. Assim como em 2017, a melancólica verdade é que no momento mais importante, decisivo, aquele que separa homens de meninos, o time, sobretudo o ataque, não estava no seu melhor momento e falhou.

A despeito dos problemas físicos e médicos, da sequência insana de 42 jogos em 43 dias, uma vez mais nossos jogadores não encontraram meios e forças para uma superação, ainda que tenham lutado com disposição e bravura até o fim. Caímos de pé. Não faltou esforço, mas talento e competência no bastão. Os adversários foram melhores. Todos querem a mesma glória, aquela sensação indescritível e maravilhosa, tão fresca ainda em nossa memória, que vivemos em 2016.

Contudo, há que se enaltecer o time por tudo o que conquistou; 95 vitórias é uma marca para se ter orgulho, para ser respeitada e valorizada. Ademais, o grupo é jovem e sua base seguirá junta ainda por mais alguns anos. Claro que serão feitas mudanças; a chegada de um rebatedor de elite, por exemplo, urge: Machado e Harper são os mais cotados. Hamels, por outro lado, deveria continuar; fez o bastante para justificar ao menos mais um ano nos Friendly Confines.

Resta esperar pelo melhor. Epstein já cansou de dar provas de que é um gestor talhado para o sucesso. A tristeza vai passar… dará lugar a uma saudade infinita que se estenderá por meses a fio. Até que nascerá o vigésimo oitavo sol de março, trazendo mais um ano de paixão e amor pelo esporte, pelo beisebol, pelos Cubs.

Go, Cubs, Go!

 

* Atualização (11/10/2018): na tarde de hoje vazou a informação de que Chili Davis foi demitido. Sinal de que a franquia está realizando um trabalho sério de reavaliação dos seus profissionais. Porém, Davis não era o único culpado. É imprescindível que a franquia vá atrás de opções no mercado para que no ano que vem tenhamos um time mais potente e equilibrado ofensivamente. Que venham mais mudanças!

Obrigado a todos que nos prestigiaram neste ano. Em 2019 tem mais. Go, Cubs, Go!
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Rafael Dias

Psicólogo e torcedor apaixonado do Denver Broncos, do Chicago Cubs e do São Paulo FC

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