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Domingo Histórico MLBMLB

SESSÃO DA TARDE MLB

É domingo, você está num churrasco na casa do sogro. As tias não querem parar de discutir sua vida amorosa, seu pai quer que você arranje outro emprego e sua priminha de 5 anos bateu com a Barbie dela na sua cabeça. Finda a refeição, o pessoal se acomoda todo no sofá para assistir alguma coisa, e assim começa a deliberação… Peppa Pig, “aquele filme novo que saiu lá com a que namora o outro na novela das 6” e a gloriosa Sessão da Tarde, que hoje estará exibindo A Casa do Lago mais uma vez. Você não sabe se é a décima segunda cerveja na pança se manifestando ou um desejo por aquietar a criançada logo, mas o certo é que você agarra o controle das mãos da vovó Zilda e decide controlar o destino da tarde… VAMOS VER UM FILME SOBRE BASEBALL. A vida em família demanda comprometimento e concessões, mas hoje você escolhe a programação.

Você ainda está meio indeciso sobre o que escolher (a era da Netflix nos deixou assim), então resolve pesquisar sobre filmes de baseball na internet. Alguns minutos depois, você acha uma coluna interessantíssima do Domingo Histórico MLB da MLB da Massa. Era tudo o que você precisava: a decisão se aproxima.

Filme número 1 – Garra de Campeões (Major League)

Foto: Let’s Go Tribe

Começamos com um grande clássico, da época em que Charlie Sheen era apenas um ator normal, sem problemas extracampo conhecidos, e piadas hoje questionáveis eram hilárias. De todo modo, é bom resgatar a nostalgia às vezes, e Major League é uma ótima opção para isso.

Já em 1989, ano do filme, a seca histórica do Cleveland Indians já virava motivo de zoação. Desesperado após anos e mais anos de penúria (quem diria que, décadas depois, estaríamos mais ou menos na mesma? Rs), uma dona maldosa decide montar o time mais amador de todos os tempos, com o objetivo de tirar a Tribe de sua cidade.

Então, os Indians contratam praticamente QUALQUER jogador, incluindo um pitcher marrento e com problemas de visão (Charlie Sheen), um velocista que não consegue acertar a bola (Wesley Snipes), um 3B patricinho (Corbin Bernsen), um power hitter que não consegue acertar curveballs (Dennis Haysbert) e um catcher com os joelhos estourados (Tom Berenger). Receita para o sucesso, não é mesmo?

Foto: waitingforthenextyear.com

Contra tudo e todos, o time de refugos dos Indians vai superando seus muitos e muitos fracassos iniciais (como não lembrar da narração “Jussssst a bit outside” de Bob Uecker, ou Harry Doyle no filme) e consegue levar o time aos playoffs. O resultados vocês terão de assistir para saber, mas prometo, as risadas não serão poucas.

Filme número 2 – Amor em Jogo (Fever Pitch)

Foto: Young Hollywood

Talvez a sua família não seja fã de comédias pastelão. OK, justo. Talvez uma comédia romântica faça sucesso?

Uma outra seca famosa da MLB é retratada em Fever Pitch – desta vez, os anos difíceis para o Red Sox retratados pelos olhos de um torcedor fanático (Jimmy Fallon) que tenta trazer seu par romântico (Drew Barrymore) a esse mundo. Para torcedores do time de Boston, já aviso: filme imprescindível! Mas, para todo o resto, também garanto: é outro filme genial que vai despertar umas boas gargalhadas.

A história cobre o ano de 2004, temporada importantíssima para o torcedor Meia Vermelha – se você não sabe o porquê, por favor, assista o filme sem saber. Será ainda mais proveitoso. É um ano de reviravoltas, de emoções e de muita diversão. Não quero largar maiores detalhes para não atrapalhar as surpresas do filme, mas prometo que, em que pese a trama romântica, o filme faz muito em mostrar o dia a dia do torcedor fanático e aquele sentimento que temos, mesmo em uma temporada de mais de 160 jogos, de que perder um já é o suficiente para ficar triste.

Como se não bastasse, é uma ótima película para entender a história da franquia de Boston, bem como seus costumes, suas músicas típicas (já falamos de Sweet Caroline na semana passada), a atmosfera do Fenway Park e a rivalidade de sempre com o New York Yankees. Ah, e curiosidade: as cenas no estádio foram filmadas durante os jogos de fato em quiçá o ano mais importante da história do Red Sox. É como se eles soubessem desde o começo.

Filme número 3 – Moneyball – O Homem Que Mudou O Jogo (Moneyball)

Foto: IMDb

Bom, apesar de ótimas opções, você pode não gostar muito da ideia de comédia ou comédia romântica. Tudo bem, de coração, nós te entendemos, por esse motivo que a ideia é dar opções para o fã mais indeciso, aquele que quer ver o baseball em tudo, como mote central, paralelo, baseball à direita, baseball à esquerda.

Sendo assim, Moneyball talvez seja o melhor filme já produzido nesse sentido. Baseado no livro “Moneyball: The Art of Winning an Unfair Game”, o assunto tratado é uma das metodologias que acabaram sendo usadas por alguns times até hoje. Como protagonista temos Billy Beane (Brad Pitt), o então general manager do Oakland A’s. Como cenário, a temporada de 2002 da MLB, logo no momento em que os A’s perdem suas três maiores estrelas.

Logo após encerrar a temporada de 2001, perdendo para os Yankees na série divisional, os A’s chegavam a 2002 com o pensamento de chegar mais longe. Entretanto, o pior aconteceu. Jason Giambi, MVP da Liga Americana, o outfielder Johnny Damone o fechador Jason Isringhausento abandonaram o time na free agency. Sem os seus três principais jogadores e com um orçamento extremamente mais limitado (terceira menor folha de pagamento da MLB), Brad Pitt precisou inovar. Opa, desculpa, Billy Beane precisou inovar.

Essa inovação é o tal do Moneyball, uma análise estatística muito mais avançada para avaliar os jogadores: dados que até então não eram computados começaram a ser levados em consideração. Como um exemplo, em vez de focar nas tradicionais rebatidas e velocidade, Beane passou a analisar o quanto o jogador conseguia chegar em base. Bom, como mostra o filme, a genialidade não foi apenas de Beane, mas também de Peter Brand (Jonah Hill).

Peter Brand (na verdade é o conhecido Paul DePodesta) e Billy Beane se conhecem durante uma visita que Beane faz ao Cleveland Indians. Então, nessa visita, Beane acaba ficando encantado com as ideias de Brand e decide que precisa dele em sua equipe. Historicamente, não foi bem assim que aconteceu, mas não prejudica em nada no filme. Paul DePodesta e Billy Beane se conheceram anos antes, juntando-se em 1999.

Enfim, a nova avaliação realizada permite que o time contrate jogadores que caibam no orçamento. Uma vez que não são os “campeões” das estatísticas já conhecidas, o valor de mercado é menor. Com isso, os A’s começam a temporada mal, causando críticas externas e até internas, inclusive ameaçando Beane à forca. No entanto, o time acaba vencendo 20 jogos consecutivos e tem uma segunda metade de temporada invejável.

Foto: the 42

Apesar da história ser conhecida, não serei eu que promoverei um “spoiler” para os que não sabem nada dessa temporada. O filme concorreu ao Oscar em seis categorias, incluindo o de melhor filme. Entretenimento e informação no mesmo lugar tornam esse filme uma ótima opção para você que quer convencer sua família no domingo a talvez assistir um jogo e não um filme da Peppa (com todo o respeito à Peppa, claro).

Filme número 4 – Uma Equipe Muito Especial (A League Of Their Own)

Se até agora não ficou agradado com nenhuma das opções apresentadas, que tal tentarmos mais uma comédia, mas com a história que permitiu a sobrevivência do baseball americano? Pois é, isso mesmo: o baseball precisou ser salvo e seus heróis, ou melhor, heroínas, possuem nome.

Foto: The Today Show

Com a entrada dos Estados Unidos da América na Segunda Guerra Mundial, muitos americanos foram à guerra, incluindo jogadores. Com isso, executivos da MLB, no intuito de manter o baseball sob os olhos dos americanos, criaram a All-American Girls Professional Baseball League (AAGPBL). A liga fundada por Philip K. Wrigley existiu entre os anos de 1943 e 1954, e foi a precursora do baseball feminino. Mais de 600 mulheres jogaram na liga, que tinha como base o centro-oeste americano. Composta por 10 times, seu time mais vitorioso foi o Rockford Peaches, que ganhou quatro campeonatos. A liga seguia as mesmas diretrizes da MLB, ou seja, existia uma segregação informal.

Mulheres negras não foram recrutadas ou contratadas. Além disso, as mulheres não eram selecionadas apenas por suas habilidades. Elas também precisavam se encaixar no modelo “marketeiro” da liga. Nos primeiros anos, as regras do jogo eram um misto de softball com baseball. Enquanto a bola utilizada era a do softball, a quantidade de jogadores era a mesma do baseball. Diferentemente do softball, o arremessador subia ao montinho, mas o arremesso empregado era igual ao do softball.

Com o passar dos anos, a liga foi se modificando e deixando as regras mais parecidas com o baseball. No último ano, o tamanho da bola, a distância do montinho para o home plate e até as distâncias entre as bases já eram praticamente iguais às métricas da MLB. Inclusive, os times eram gerenciados por ex-atletas homens da MLB, o que, segundo os organizadores, traria mais credibilidade a liga. Os salários giravam em torno de $45 a $85 ($652 a $1231 nos dias de hoje) por semana nos primeiros anos de liga, e $125 ($1207 nos dias de hoje) por semana nos últimos anos.

Foto: The Cut

Com Geena Davis, Lori Petty e Tom Hanks, o filme retrata exatamente esse ponto na história do baseball norte-americano, trazendo boa dose de humor. Entretanto, o filme não esquece o drama existente dentro de toda a história: a Segunda Guerra Mundial, as batalhas das mulheres em busca por seus direitos, a luta do ex-jogador com a sua atual situação (ex-jogador) e, por fim, o que vira o tema do filme, a decisão por encerrarem a liga devido à sua baixa rentabilidade.

Aqui é garantia de sucesso no seu pós-almoço de domingo. Embora o baseball seja abordado em todo momento, a situação da época e o conflito dos personagens permite que o filme vá além do esporte. Aliás, como já comentei, o filme é uma comédia, mas depois pode vir até aqui e nos contar que o seu tio mais rude acabou suando os olhos com algumas cenas, pois isso pode acontecer.

Detalhes

Enfim, filmes que tenham o baseball como fundo são vários e com os mais diversos assuntos possíveis. De todos que citamos, até 42, que conta a (gigante) história de Jackie Robinson. Ou então, até Ed – Um Macaco Muito Louco, tipo um AirBud do baseball. Felizmente, material não falta.

Além de filme, também temos desenhos que representam o nosso baseball com muito amor. Em Peanuts, também conhecido como “as tirinhas de Charlie Brown e Snoopy”, apesar de trazerem muitas vezes todos os esportes americanos, predomina o baseball. Charlie Brown é fanático pelo esporte, mas seu time nem sempre consegue os melhores resultados possíveis.

Foto: Now I Know

Numa das inúmeras edições de Peanuts, existe a Charlie Brown’s All Stars, que no Brasil teve várias traduções (“Você é o craque, Charlie Brown”, “Você é um tapado, Charlie Brown” e “Todas as Estrelas de Charlie Brown”). Nesse desenho animado, o baseball é o cenário para representar grandes amizades e toda a esperança que existe dentro de Charlie Brown. O time do menino de amarelo, dono do beagle Snoopy, perdeu 999 jogos seguidos e a vontade de continuar jogando. No entanto, o garoto quer levantar o moral de todos, para que sigam jogando aquele que é o esporte preferido dele. Então, ele acaba conseguindo um patrocínio e recebe uniformes e equipamentos.

No entanto, a proposta acaba reutilizada, pois perante o contrato, seu amigo cão e as meninas não poderiam jogar. Essa é apenas uma das histórias em que “as tirinhas de Charlie Brown e Snoopy” colocam o baseball como cenário, para suas aventuras e lições. Seja qualquer um desses filmes ou das tirinhas de Peanuts, todas essas histórias provocam emoções. Entretanto, ainda não existe nada que se compare à aquela parte baixa da nona entrada de um real jogo de baseball. Por isso, leitor, pode ligar o stream do jogo do seu time favorito após o churrasco. É sempre a melhor opção.

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Bianca Segatt Ractz

Brewerzista, editora-chefe do @MILDepreshow, colorada, tradutora e revisora nas horas vagas.

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3 thoughts on “SESSÃO DA TARDE MLB”

  1. Uma salva de palmas! Essas colunas de domingo são espetaculares! Já vi alguns dos filmes indicados! E vou correr atrás dos que ainda não assisti!

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