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VAI REALOCAR OU NÃO VAI?

Aproveitando esse período em que a maioria dos times já está no campo de golfe, chegou o momento de diversificar as pautas e entregar para os leitores alguns assuntos mais gerais sobre hoquei e NHL. Nesse primeiro artigo falarei um pouco sobre cidades, franquias, negócios… mudanças…

Realocação é sempre um tema polêmico, há sempre o envolvimento de duas partes, em regra uma quer receber uma franquia e a outra não quer perder, mas existem casos em que uma cidade quer uma franquia, outra cidade sequer liga para a franquia e assim mesmo Bettman bate o martelo e mantém suas convicções a frente de um desfecho que provavelmente seria economicamente mais favorável.

Diversos times estão sempre na pauta das conversas sobre realocação. Arizona, Flórida, Ottawa, Carolina, Calgary… e duas são as principais razões para os rumores proliferarem, o primeiro é a dificuldade de obter acordos com cidades para utilização, manutenção ou construção de novas arenas, o segundo diz respeito as tabelas abaixo:

Tabela de público. Temporada 18/19. Fonte: ESPN.com
Tabela de público. Temporada 17/18. Fonte: ESPN.com
Tabela de público. Temporada 16/17. Fonte: ESPN.com

É possível ver que há relação entre a ocupação das arenas e o tamanho dos rumores, isso é um indício de que a cidade está ou não interessada no negócio e isso é um diferencial, por exemplo, entre as situações do Calgary e de Ottawa, ou a justificativa de o porquê uma cidade não verá seu time realocado e a outra pode vir a ter, ainda mais com a proximidade geográfica de Quebec e sua arena nova em folha, e ociosa.

Os times acima listados acumulam os piores números de ocupação das arenas nos últimos 3 anos, com algumas variações positivas dependendo da performance do time. Esse ano, por exemplo, Carolina deu uma recuperada e o Flórida recuou. Não entrarei na seara do New York Islanders uma vez que a situação do time já foi resolvida com o acordo para construção de nova arena em Long Island, com previsão de início de operação em 2021.

Algumas premissas parecem guiar os movimentos de realocação e a primeira é que um time americano deve ser trocado por outro time americano, isso porque o mercado nos Estados Unidos é muito maior que o Canadense e muito mais viável diante da desvalorização do dólar canadense. Isso talvez seja a principal razão pela qual os rumores de realocação do Panthers não crescem, pois seria uma das franquias possíveis de serem mandadas para Quebec.

Essa é a razão pela qual o Senators parece cada vez mais fadado a realocação. Em um mercado que está abandonando o time, uma equipe que passa por um traumático processo de rebuild, depois de quase ter ido para a final da Stanley Cup dois anos atrás e, ainda, com uma intrincada negociação para construção de uma nova arena, uma vez que a atual fica um pouco distante da cidade, afastando os torcedores e os planos para uma arena no centro que fatalmente aumentariam o interesse pelo time foram por água abaixo.

Para tentar aplacar os rumores, Bettman negou qualquer chance de a franquia ser vendida ou realocada em evento ocorrido no dia 02/05, na capital canadense, que discutiu o problema das concussões no hoquei.
Ao contrário de Ottawa as negociações com a cidade de Calgary parecem estar evoluindo. No final do mês de fevereiro o conselho da cidade aprovou plano de revitalização de um distrito próximo a Downtown. As partes ainda não falam abertamente, mas tudo leva a crer que a arena será levantada e funcionará nos moldes da Rogers Arena em Edmonton, ou seja, pertencerá a cidade, sendo alugada para o time de hoquei, que ficaria responsável pela manutenção em uma espécie de concessão administrativa. Uma vez que as partes não falarão abertamente enquanto não houver um acordo fechado não é possível cravar o modelo, mas a situação hoje é melhor do que era no final da temporada passada.

Quebec, por sua vez, aguarda ansiosamente a realocação dos Senators. Com a cidade tendo construído uma arena sem qualquer garantia de utilização, hoje possuem um elefante branco com capacidade para mais de 18.000 expectadores e que é esporadicamente utilizada para jogos de pré temporada e concertos .

A cidade apostou alto, achou que seria suficiente para receber uma franquia no processo de expansão que colocou um time em Las Vegas a existência de uma arena nova e o apoio popular, mas questões econômicas e políticas inviabilizaram a equipe. O dólar canadense em baixa, o realinhamento dos times que deixou a conferência leste com mais times que a oeste e, até a rivalidade e má vontade de Montreal pesaram contra a cidade, ademais, questionou-se a sustentabilidade da arena, uma vez que os estudos apontaram que uma arena para 18000 expectadores seria exagerada para o mercado. 

Outra novela que se arrasta é a possível realocação dos Coyotes, com Houston salivando pela franquia para jogar no mesmo ginásio do Houston Rockets e as constantes trocas societárias em Arizona, que, inclusive, já levaram a mudança do time de Phoenix para Glendale, além de estarem diante de um impasse para uma negociação de longo prazo com a cidade para abrigar o time.

A situação no Arizona já beirou o insustentável e Bettman segurou o time como pôde no Estado. Com a melhora da perspectiva do time no gelo cresce a possibilidade de o time ser mantido no Arizona, embora, com o fantasma de Houston rondando e a mudança para a divisão central com a entrada da equipe de Seattle, os rumores tendam a crescer nos próximos meses.

Outras praças gostariam de ter times na NHL, mas com 32 times e muitas cidades consolidadas novos entrantes precisam preencher uma série de requisitos, desde econômicos, referente a moeda e potencial do mercado, até geográficos, coincidindo com franquias cambaleantes. Kansas City, por exemplo, seria uma alternativa, mas geograficamente teria que substitur algum time da divisão central, mas todos vão bem, obrigado, exceto, talvez, o Coyotes, mas este, como dito acima, se sair, já tem destino certo.

Toronto poderia receber um segundo time. É um desejo antigo, assim como Hamilton, que abrigou os Bulldogs da AHL, embora hoje só tenha time na OHL, mas pesa o fato de estarem no mercado canadense em uma divisão/conferência já bastante adensada. San Francisco deseja levar para a cidade os times de Golden State Warriors e San Jose Sharks, o que não deverá acontecer, ao menos em um futuro próximo. Cleveland pode desejar concentrar as franquias de Ohio, trazendo maior sinergia entre os esportes profissionais no estado, mas neste momento é difícil vislumbrar uma mudança de Columbus.

Passado um período em que foram feitas muitas realocações e expansões a NHL passa por um momento de reflexão. Seriam 32 times suficientes ou rumamos inexoravelmente para uma liga com 36 times? É hora de explorar novos mercados? Retornar e retomar velhos domínios? Será que o nível técnico da liga comporta outros 4 times sem cair de forma considerável?
Vegas mostrou que é possível fazer um time sem estrelas e competitivo e isso pode ser determinante para responder muitas das questões acima.

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Gustavo Macieira

Fã de hóquei desde Mário Lemieux Hockey pro Sega Genesis e torcedor fanático dos Canucks desde 2011, depois de virar a casaca e deixar de torcer pro New York Rangers.

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